Escritor Cyro de Mattos ganha Prêmio das Artes Jorge Portugal da FUNCEB

Com o projeto de publicação da obra Canto até Hoje, o poeta Cyro de Mattos foi vencedor no Prêmio das Artes Jorge Portugal – Literatura – 2020, patrocinado pela Fundação Cultural da Bahia, no Programa Aldir Blanc. O prêmio a que o poeta fez jus é de 40 mil reais, que serão empregados na produção do livro Canto até Hoje, a ser publicado com o selo editorial da Fundação Casa de Jorge Amado, de Salvador, na Coleção Casa de Palavras.


Com capa do consagrado desenhista Juarez Paraiso, prefácio do crítico Oscar D’Ambrósio, doutor em Artes da Universidade de Mackenzie, membro da Associação de Crítica Internacional, (SP), Canto até Hoje é um alentado volume de oitocentos páginas, constituído de livros publicados no Brasil e exterior, e ainda inéditos, além de apresentar um conjunto de textos críticos assinados por Jorge Amado, Eduardo Portella, Helena Parente Cunha, Assis Brasil, Mário da Silva Brito, Carlos Moisés, Hélio Pólvora, Graça Capinha, Maria Irene Ramalho, Alfredo Pérez Alencart e outros.


Os livros que compõem o volume Canto até Hoje são esses: Cantiga Grapiúna, Lavrador Inventivo, No Lado Azul da Canção, Vinte Poemas do Rio, Viagrária, A Casa Verde, Cancioneiro do Cacau, Os Enganos Cativantes, Vinte e Um Poemas de Amor, Poemas Ibero-Americanos, Poemas de Terreiro e Orixás, O Discurso do Rio; os inéditos Nesses Rumores e Mares, Agudo Mundo, Zurubundunga e Capanga de Sonetos; os traduzidos e editados no exterior Canti della terra e dell’acqua, Poesie Brasiliane della Bahia, Zwanzing Gedichte von Rio und Andere Gedichte, Donde Estoy y Soy, De Tes Instants dans le Poème, Il Bambino Camelô, Twenty River Poems, The Green House e Of Cocoa and Water.


A publicação de Canto até Hoje é uma edição comemorativa dos 60 anos de atividades literárias do autor.

Escritor e Poeta Grapiúna Elogiado na Espanha

Cyro de Mattos: La poesía en el corazón del Brasil, artigo de Juan Angel Torres  Rechy, poeta e filólogo mexicano, integrante do Departamento de  Espanhol da Universidade de Soochow,  P. R. China, teve publicação com destaque na Rádio e TV Al Dia e no Boletim Poético digital “Crear en Salamanca”, dois veículos culturais importantes de Salamanca, cidade conhecida na Espanha como de saberes e cultura. 

 O artigo tece comentários sobre a trajetória do escritor e poeta baiano, sua atuação marcante no XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos, em Salamanca, quando então lançou o livro de poemas Donde Estoy y Soy, além de apresentar seus dois poemas “Lugar” e “Tarde no Alpendre”, na tradução do poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart. Conclui fazendo uma análise crítica da obra poética de Cyro, que conta com um acervo dezoito livros publicados no Brasil e doze no exterior.   

Sonetos Inspirados em Fernando Pessoa- Cyro de Mattos

 

I

Daqui este mar inunda-me de ilhas

Dos que quiseram o sonho, cansaço

A subir das espumas e sabê-lo.

Daqui este mar define-me anseios

 

Da caravela de onde venho e vou.

Daqui este mar um lugar remoto,

De tanto estar nele o fado a querer

Que eu navegasse atento, sem tremor,   

 

E lambesse o sal de meus sentimentos

Esperançosos de pisar na terra 

Que me acenava com as suas riquezas.  

 

Daqui este mar fado vazando veia,

De repente a Pátria na onda do mito

O azul mais vasto a terra inteira visse.

 

II

Um doido que estranhou sua própria alma,

Fingidor que, na hora abissal ou pasma,

Como verdade chegou a fingir

Ser dor o que dentro sente; a urdir

 

Que tudo vale a pena se a alma não é

Pequena, grande ergue-se no poema,

Que o serve de metafísica extrema.

Traduz na frase grave como é

 

Ser genial, fruto de heterônimos

Em diversos enredos de nós mesmos,

Nas vozes todas em que sonhos pomos.

 

Triste passageiro, que insone chora,

Esse Apolo no som de sua lira,         

Apegado à noite final que o espera. 

 

III

Lá na minha aldeia

Tem um rio só 

De sonho, melhor 

Que o Tejo, maior

 

Que o Nilo.  Meu rio,

Que comigo traça   

Castelos de amor,   

O de minha aldeia.

 

Brilha volta e meia

Nos cachos do sol, 

No leito do eterno

 

Onde sempre leva  

Nas águas correntes    

Meus versos com flor.           

     

IV

Tocador de lira.  Cordas sentem

Sustos e surpresas na passagem

Do infante, no íntimo do homem, na vida 

Fadada nos desvãos da alma sentida.

 

É belo o som que vem dessa música,

Fala do tecido duma túnica

Que se mede nas imagens das dores,

Paredes de tristezas e clamores

 

Misturados do que é, foi e será.   

Círculo de tormentos no mundo    

Enquanto vê e deste quer falar.      

 

As cartas de amor pulsam em degredo,       

Mostram falhas da vida assim disposta,        

Dos que vivem sozinhos sem resposta.            

 

V

 Amargura, desgraça, solidão.

Os deuses também moram no meu ermo, 

Sabem   do meu fado nesse desterro,

De onde procedo na velha   ilusão

 

De que tudo emerge dos sentimentos,

Da esperança de fortes movimentos.

Parecem deter-se nessa poeira

Do tempo, rumo à névoa derradeira.

 

Nunca me querem como um cadáver

Ambulante que procria, incumbem-me  

Ser tudo no verbo, como refém, 

 

Dessa hora difícil pra achar a chave

Da vida que por aí vai na asa dessas   

Emoções conhecidas como intensas.     

        

VI

Sou um ser interior, demiurgo

E profeta, de lira no meu burgo

O enigma em pessoa, um e vário,

Amarrado nesses nós do mistério.

 

Criei as odes de Ricardo Reis,

O Álvaro de Campos, também Caieiro,

No tempo sonhos do mundo gravei,    

Falei de solidões de amargo travo.

 

Fiz, como simulador de emoções,

Que gente enxergasse da identidade

Novas cenas, da existência verdade.

 

Culminei no legado, que, por razões

Do fado, pôs nas zonas da cegueira

Esses ritos de minha canção rara.     

 

VII

Digo, nunca fui campeão de nada.  

Sou um fraco, sempre tomei porrada.  

Ninguém me salva, está na colisão

Do viver com os outros meu coração.

 

Vejo muitos amigos senhores de tudo,

Ao largo vão como gente sem falha

Enquanto eu, o mais imperfeito, na malha

Da ilusão persigo o mundo que espalha

 

 Minhas almas nessa hora do café. 

No quarto tenho o meu pai, o poema.

Meu jeito de ser só, mas nunca a fama  

 

Quero. Cartas de amor, leais, até

Que me esforço para escrevê-las puras, 

Isentas de dor nas pancadas duras. 

 

*Cyro de Mattos é ficcionista, poeta e ensaísta. Premiado no Brasil e exterior. Autor de mais de 50 livros. É também publicado no exterior. Seus livros infantojuvenis são adotados nas escolas do Brasil. Os destinados ao leitor crítico são estudados em universidade. Membro da Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris Causa da UESC.


Odilon Pinto: historinhas e mundinhos - Cyro de Mattos

 

          Em Coisas da Vida (2004), Odilon Pinto  reúne ficções escritas em apenas uma página, fantasias que dão prazer na leitura. No conteúdo da vida como ela é, cada uma delas segue arrastando o leitor com engenho e leveza, surpreende-o no desengano, no amor abortado, na ardência da paixão, no drama recheado de hipocrisia e ciúme.  A vida apresentada na narrativa veloz vem quase sempre acompanhada de observações certeiras.

       Em “A Doida”, que “se apegava à rua, era o caminho que devia percorrer...”, em “Paixão Recolhida” quando “durante dois anos fora senhor dos seus beijos, do calor do seu corpo, do cheiro dos seus cabelos. Isso tudo, quando se perde, cresce, até ficar do tamanho do mundo”, fica patente que as observações são realizadas com dizeres apropriados do coloquial. O autor pontilha uma sintaxe verbal impregnada de sutilezas, mínimas referências instigantes. Em Coisas da Vida encontramos, de página em página, a  atuação humana na rotina chata da vida, às vezes de amores abortados, em outra hora com a faca que a traiçoeira invenção do gesto suspende e se completa no desfecho inusitado.

         Em “Dick”, o cão retira do dono a sensação asfixiante de estar vivo, mas em “Sem terra” o drama completa-se com o seu instante duro de sofrimento na solidão.  No exemplo de “A família”, a farsa vai tomando forma nas observações feitas pela personagem, uma mulher velha, sobre a palhaçada armada para ela na igreja como ritual de amor dos filhos.   Ficam também em nossa lembrança as cenas de que a ocasião faz o ladrão e o acaso torna em vingança.  O duelo entre o real e a ilusão na doméstica sonhadora, com o sonho vencido pela dura lei da vida. 

        Com estofo de crônica, anedota esticada, texto motivado por noções de filosofia, fantasia do real fundido com o desastre conjugal, poesia da vida carregada de inconformismo, tristeza e revanche, é visível nesses quadros pintados com rápidas pinceladas por mão segura o quanto é rica a humanidade na sua pobreza social, no pequeno mundo rotineiro da vida. Não resta dúvida que desses quadros compostos por Odilon Pinto brilham momentos diletantes de leitura. O valor dessas historinhas primorosas força-nos a dizer que nos pequenos frascos é que estão guardados os melhores perfumes.

 

 

Editora da UESC Lança Três Livros Novos do Autor Cyro de Mattos



A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de publicar três livros novos do ficcionista e poeta Cyro de Mattos. Os livros formam a Coleção Infância Livre e são estes: Nada Era Melhor, romance da infância, O Discurso do Rio, poesia, e Pequenos Corações, contos. O tema é a infância, retratada nos sentimentos que o autor teve na sua cidade natal, naqueles idos longe da diversão dos jogos eletrônicos de hoje.

A infância aqui circula como expressão do sonho e da liberdade, nostalgia e inconformismo. Uma fusão de saudade e dor encontramos nos trinta sonetos de O Discurso do Rio. Uma representação da infância com as marcas da aventura generosa vemos nos episódios de Nada Era Melhor. Em Pequenos Corações, contos de meninos, vivemos dentro de nós a vida que em cada episódio ela suscita com os ritos de passagem, ora alegres, ora tristes.




 

Uma Rosa para Aqueles Doidos Mansos

        

                            Cyro de Mattos

 

         A cidade tinha seus doidos mansos, suas manias faziam com que gente adulta sorrisse e os meninos mangassem quando deparavam a cena engraçada. De tão mansos mal não faziam a uma mosca. Ingênuos, indefesos, triste gente perseguida pelo fado. Incansáveis atores na vida diária, funcionavam como o riso da rua. Havia Mula-Manca, só andava bêbado, mal se aguentava nas pernas, tropeçava nos passos. Maria Camisão suspendia de repente a camisola e mostrava a parte debaixo, entre as pernas, coberta com o tufo de cabelo. Ela dizia nomes feios, oferecia a quem quisesse o sexo cabeludo aparentando uma coisa horrenda. Zeles Carnavalesco pela rua saracoteava, tremia como um boneco elétrico em tempo de carnaval. Não parava de pular, mexer e rodar na frente do bloco carnavalesco.

      O tal de Jipe se dizia portador dentro dele de um carro de corrida, que não tinha preço. Saía disparado pelo calçamento, buzinando. Na avenida do comércio, passava veloz segurando numa mão uma placa com o número do carro e na outra um farol sem lâmpada.  Chiranha era o que adivinhava qual seria o número sorteado no jogo da loteria. Ainda tinha o doido Paturi, um meio azoado, ele virava uma fera quando era arreliado com aquele apelido que detestava.

          E o Ciro Mergulhador?

          Quando o gaiato dizia:

       - Ciro Mergulhador!

       A resposta era uma só:

       - Atrás de moça bonita!

        Todos eles exerciam seu papel particular na vida da cidade. O tal Jipe fazia o preparo físico para fortalecer o fôlego pela madrugada, indo e vindo disparado muitas vezes na travessia que fazia no piso da Ponte Velha. Até que chegava como um vento veloz ao centro da cidade, buzinando, gritando para que a pessoa saísse da frente, se não quisesse ser atropelada, estava com pressa, ia calibrar os pneus de seu carro para uma viagem que faria naquele dia até a cidade vizinha de Ilhéus. Não queria chegar atrasado no local de saída, as pessoas que iriam ser conduzidas na viagem poderiam desistir com o atraso de seu jipe e irem embora.

           Lembro de todos eles, como se estivessem agora ressurgidos do tempo longínquo, que se esfumou na curva dos anos. Exsurgem com suas graças e ingenuidades de gestos para fazer a cidade mais humana, com sons e cores de uma gente que divertia a vida sem querer nada de volta.  Doidos mansos de minha terra, anunciados pelo destino em cada número do teatro da vida, como se fossem figuras grotescas, mas que eram queridas por gente grande e pequena, pelo espetáculo que era dado de graça.  

           Mula-Manca, Maria Camisão, Ciro Mergulhador, o tal Jipe falado, Zeles Carnavalesco, Chiranha, mais Paturi, porque me fizeram um menino alegre, dedico-lhes agora essa crônica como se fosse uma rosa que emerge com o seu perfume suave do lugar onde não morre a ternura.

 

 

Dizeres esparsos: espaços de nós - Ruy Póvoas

 Dizeres esparsos: espaços de nós é o quinto livro de poemas publicado por Ruy Póvoas. Nele, continua a proposta apresentada nos livros anteriores: o texto é estruturado com leveza, rapidez e visibilidade. Tais qualidades vem no rastro de Calvino em suas Seis propostas para o terceiro milênio.

Para quem conhece de perto a obra de Ruy Póvoas  vai constatar que, mais uma vez, ele se mostra afeito ao postulado bachelardiano de examinar o dado evidente, atravessar a realidade e mostrar o real oculto.

Também vale considerar sua predileção pela metáfora mítica. Ele mesmo, na apresentação deste livro, oferece uma pista para a interpretação do leitor:

“Meu viver é profundamente marcado pela cultura de matriz africana e pelo imaginário sociorreligioso nagô, preservados no Brasil a duras penas, aos trancos e barrancos. Por isso, experencio a metáfora mítica, própria daquele povo, que consiste substancialmente na identificação da expressão metafórica com o objeto, conforme Cassirer interpreta.”

Trata-se, portanto, de um livro diverso e diferente. Linguagem bastante accessível, sintaxe sem torneios, aproximação da fala cotidiana são as marcas distintivas dos poemas que, segundo o autor, aparecem numa ordem aleatória. Esse último aspecto, somado àquele outro da diversidade temática, confere ao livro um ritmo tal qual ocorre nos nossos estados emocionais. Essa é a marca mais identificadora dos poemas que Ruy Póvoas torna a nos oferecer.

E a grande surpresa: desta vez, o próprio Ruy Póvoas é o autor da farta ilustração, em parceria com Álvaro Coelho, ambos agenciando leveza, rapidez e visibilidade. Por isso mesmo, é um livro que veio para ficar.






Mensagem de Natal de Cyro de Mattos


Aos Confrades e Confreiras

Que o Menino Jesus com suas luzes
nesse Natal faça desaparecer o mal
desses tempos tristes. Para que a vida
seja sempre verde como na campina.
Seja sempre mansa como na colina.
Como a desse menino dormindo
no presépio seja sempre amiga
e em nossos caminhos cresça.

Fernando Leite Mendes, o cronista a se resgatar- Henrique Fendrich*

 

Uns querem a crônica alienada como um poema informal e libertado. Outros preferem fazê-la fragmento de conto e nada mais. Pois de mim a crônica faz o que ela quer. (Fernando Leite Mendes)


Há um time de grandes cronistas mais ou menos célebres, tido como a “geração de ouro da crônica”, mas também há nomes que ficaram esquecidos com o passar dos anos e cujo resgate pode evidenciar que eles não faziam feio em meio aos “medalhões” do gênero. Cyro de Mattos e Ivo Korytowski se propuseram a resgatar um desses nomes, o jornalista e escritor baiano Fernando Leite Mendes (1931-1980), de atuação na TV Tupi, e organizaram “O gigante e a bicicleta e outras belas crônicas” (Via Litterarum, 2020), obra que dá boas mostra da produção desse cronista.

Fernando é cronista que se destaca pela elegância da sua linguagem e pela cultura de suas referências, assemelhando-se, nisso, ao Henrique Pongetti, outro cronista de sucesso e talento que, no entanto, mal é lembrado nos dias de hoje. Fernando apresenta notável acento lírico, como aquele que mais se valoriza em cronistas como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Algumas de suas crônicas são perfeitos poemas em prosa (vide “A monja e os sinos”).

A exemplo de Paulo Mendes Campos, ele também usa a crônica como forma de fazer certos exercícios poéticos, entre os quais se destaca “Uma carga de esperança”, crônica sobre um caminhão em que viajavam várias freiras. A partir disso, o cronista parte para especulações líricas sobre aquele evento, nas quais revela a visão mais humanizada que tinha da religião. Há ainda “A alma e a carta”, verdadeiro esparramo lírico a valorizar o “literário” na crônica.

Fernando Leite Mendes também se mostra um grande criador de cenários. A partir de um evento específico (o despejo de uma velha senhora, um suicídio na Torre Eiffel), ele como que dá um giro de 360 graus para retratar o entorno e assim mostrar tudo o que acontece conjuntamente à história que relata. A sensibilidade do seu olhar deixa essas pequenas histórias ainda mais bonitas.

Também ele se ocupa de notícias dos jornais, também ele capta, em meio a fatos frios e objetivos, a centelha de vida e poesia que merece ser eternizada, subvertendo os valores-notícia que costumam orientar a produção jornalística. “O burro sumiu” lembra muito a forma como o Braga tratava as notícias. Nem se diga que não estava atento aos eventos do seu tempo, mas mesmo a ditadura recém-inaugurada recebeu dele não um artigo, e sim uma crônica em forma de alegoria, a sua defesa, como cronista, diante da tirania vigente.

A passagem do tempo, indissociável ao próprio conceito de crônica, também não lhe escapa, e, como é tradição, também há aqui e ali um passarinho (se bem que o fim deles possa não ser muito bom nas crônicas de Fernando). Às vezes, a crônica exigia um conto infantil de Fernando, às vezes uma história divertida do cotidiano, uma análise brejeira dos costumes da sociedade, e dessas obrigações todas o escritor não se furtava e as realizava a contento.

         Fernando cultivou a crônica com paixão durante grande parte da vida e essa pequena mostra evidencia o seu talento e o acerto do seu resgate.

 

 





*Henrique Fendrich,  jornalista, cronista, editor da Revista  da Crônica Rubem, Curitiba

 

 ** Fernando Leite Mendes é baiano nascido em Ilhéus. Homem de inteligência inquieta,  cronista maior esquecido, atuou com destaque na televisão, teatro, cinema,  rádio e jornal, na década de 1950, Rio de Janeiro.  Orador contagiante, com ele a palavra estava de bem com a vida. (Cyro de Mattos)

Confraternização e Premiação



A Academia de Letras da Bahia encerrou  suas atividades do ano ontem, dia 17, com a confraternização entre os membros e funcionários da instituição e com a entrega do Prêmio Conjunto de Obra Academia de Letras da Bahia e Eletrogóes ao escritor  Cyro de Mattos, autor de vasta obra em vários gêneros. O prêmio consiste numa placa alusiva às produções literárias do homenageado e  o valor de oito mil reais. Antes foram agraciados com essa láurea o educador Edivaldo Boaventura, a poeta Myriam  Fraga, a romancista Helena Parente Cunha, o historiador João José Reis,   os escritores  Hélio Pólvora, Guilherme  Raddel e Gláucia  Lemos. 

OS 100 ANOS DE NASCIMENTO DE CLARICE LISPECTOR Ricardo Cravo Albin

 

Nesta quinta feira a literatura está em festas. A celebração dos 100 anos de Clarice Lispector representa mais, muito mais, para o fazer literário, o escrito na língua portuguesa, do que pode avaliar nossa apelidada “vã consciência”.

 

Clarice, que se intitulava mais uma jornalista do que escritora, errou em sua auto avaliação. Porque tudo que fez manejando palavras e o estímulo do intelecto em forma de arte ficou revestido de um grau superior e universal.

 

Por essa razão, acode-me a memória das muitas conversas que mantínhamos dentro do Conselho de Literatura do Museu da Imagem e do Som, de que ela participava a meu convite tanto na busca dos nomes para os depoimentos destinados à posteridade quanto para escolha dos prêmios Golfinho de Ouro e Estácio de Sá, os melhores do ano em literatura. Ao final da tarde, o Conselho de Literatura já encerrado, eu levava Clarice ao seu apartamento no Leme, na Gustavo Sampaio.

 

Evoco essa memória de amizade e admiração porque já naquela época muitos críticos intuíam dentro e fora do Conselho que caberia à Clarice uma consagração internacional. Sua literatura absolutamente original para a época estimulava o futuro, projetava audácia, arquitetava beleza e surpresa.

 

Seguem abaixo, tanto como farei amanhã com seu vizinho de data de aniversário, Noel Rosa, algumas frases que definem a essência do seu pensamento provocador.

 

1- “Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir.”

2- “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

3- “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

4- “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

5- “O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.”

6- “Mas há a vida que é para ser intensamente vivida. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.”

7- “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.”

8- “Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.”

9- “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.”

10- “E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.”

11- “Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.”

12- “Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.”

 

Como fiz questão de que o Pen Clube Internacional do Brasil a homenageasse, repito aqui a frase que encimou toda a correspondência do nosso Organismo Internacional.

 

2020 – ANO DOS 100 ANOS DE CLARICE LISPECTOR

 

·        Ricardo Cravo Albin é presidente do Pen Clube do Brasil.

 

O MAR NA RUA CHILE Cyro de Mattos


 

Quando estudante universitário, uma das coisas que gostava era de ir à Rua Chile. Quase todos os dias, visitava a Livraria Civilização Brasileira como uma necessidade que o tempo impunha, semelhante àquela quando se tem sede ou fome. Na Livraria Civilização percorria as prateleiras, procurando achar algumas dessas raridades literárias, que há algum tempo estivessem com a edição esgotada. Perguntava ao vendedor Toninho se havia chegado algum livro novo de literatura. Examinava na vitrina as obras de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Lima Barreto. Os livros de Dostoiewski, Hemingway, Faulkner, Sartre e Camus. Sagarana, de João Guimarães Rosa, e Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, lá estavam para causar impacto e opiniões acaloradas entre os companheiros de geração.

 Era na Livraria Civilização que me encontrava com os companheiros de geração, à qual alguns deles pertenciam por afinidades eletivas, enquanto outros em razão da idade. Ildásio Tavares, Alberto Silva, Ricardo Cruz, Marcos Santarrita, Orlando Sena, Olney São Paulo, João Ubaldo Ribeiro, Adelmo Oliveira, Davi Sales, João de Góes Berbert, Carlos Falk e Carlos Nelson Coutinho. Encontrava, quase todos os dias, com três ou quatro desses companheiros de militância cultural, que se iniciava como botão ou rosa entreaberta no mundo da ideia.

 Conversava com Calasans Neto, Jurema Pena e Florisvaldo Mattos. Via o professor Machado Neto com os olhos atentos por trás dos óculos de lentes fortes perscrutando algum exemplar, provavelmente de sociologia ou filosofia. Cruzava com Hélio Rocha, Nélson de Araújo, Vivaldo Costa Lima, João Carlos Teixeira Gomes, Sonia Coutinho. Era comum naquele tempo Glauber Rocha aparecer com Paulo Gil Soares e Fernando da Rocha Peres, ou ainda com Carlos Anísio Melhor e Oto Bastos. Inteligência privilegiada, Glauber Rocha formava com os seus companheiros de geração um grupo de intelectuais irrequietos, que na época agitavam os meios culturais de Salvador.

Na Rua Chile, às sextas-feiras, pelo fim da tarde, gostava de ficar olhando nas vitrinas as camisas da última moda, a serem usadas pelos jovens no verão. Depois, naquele momento antecedido de ânsia, lá ficava no passeio de alguma loja, recostado à parede, vendo as garotas que desfilavam com uma ginga provocante. Mulatas, morenas, louras. Nelas aquele cheiro bom de maresia e ventos por toda a extensão da pele. Minhas preferidas eram as mulatas. De olhos gateados, seios despontantes, curvas sensuais. Não podia ver uma dessas mulatas com os quadris rebolando, com todo aquele sabor na pele de fruta gostosa, como já me referi. O romancista João Ubaldo Ribeiro está aí mesmo  e não me deixa mentir.

Refaço agora os rastros daquele calendário solto. A camisa esporte, os cabelos cheios na tarde de marinheiro. O amor pulsando nas veias, a emoção dando água na boca, quantas aventuras memoráveis. O moço veio do interior para se formar em advocacia, mas aos poucos foi descobrindo sua paixão pela literatura. Na vitrina, livros anunciavam viagens, novas e tão velhas. No calor do verão, ventos impulsivos queriam de repente mudar o mundo. Pela tarde, quase toda a cidade movimentava-se naquela rua quase estreita e nem tão comprida. Ali, a cidade como fêmea e fruta carnuda que se oferta num gesto de aventura e risco. Tudo a soar fervoroso no passo esplêndido da vida com seus metais ao sol, incandescendo a tarde em ritual que se renova a cada instante sorvido. Posso dizer, plagiando Carlos Drummond de Andrade, que o meu aprendizado de que amar se aprende amando teve início na Rua Chile, começo dos anos 60.  Dentro de mim o amor permanece até hoje com os seus vestígios de maresia. A pele bronzeada com o azul das marés e hálito quente dos ventos destacava a rosa  no calor do tempo.

Hoje de regresso, vejo a rua desbotada, aceno para velhos companheiros. Triste canção assovio. Despeço-me nos passos monótonos de alguém que segue em silêncio. No amarelo das lojas, na fenda dos passeios, na calma desse fim de tarde, vejo como é duro saber que tudo aquilo, no apogeu solar dos frutos maduros, de repente se esquiva e, como uma onda na vazante, nunca mais se repete. 

 

 

 

 

 

 

O FORTE NO ALTO DO MORRO DO LEME


 

Encontro com Cyro de Mattos


 

Academia Brasileira de Letras elege sua Diretoria para o exercício de 2021

 
 
O Presidente Marco Lucchesi, reeleito por unanimidade, será, depois de Austregésilo de Athayde, o acadêmico que conquistou mais eleições consecutivas para a presidência da Casa, iniciando o seu quarto mandato em 2021.
 
 
 
O Acadêmico Marco Lucchesi foi reeleito para a Presidência da ABL no ano de 2021. A sessão ordinária aconteceu de forma virtual no dia 3 de dezembro, quinta-feira. A chapa eleita foi assim constituída: Presidente: Marco Lucchesi; Secretário-Geral: Merval Pereira; Primeiro-Secretário: Antônio Torres; Segundo-Secretário: Edmar Bacha; Tesoureiro: José Murilo de Carvalho.
 
 A cerimônia de posse será na sexta-feira, dia 11 de dezembro, às 17h, também de forma digital, devido às medidas de isolamento social da pandemia da COVID-19.

Resistência Santa de Firmino Rocha Por Cyro de Mattos

 

                                    

O épico apresenta, o lírico lembra, o dramático articula mundos interiores que resultam de atritos e conflitos na cadência crítica da vida. O lirismo e o sentimento do amor andam juntos, como podem ser vistos na tradição da poesia ibérica. Na sua maneira íntima, de permanente emotividade, o lírico procede como quem recorda ou irrompe dos estados puros da paixão. O ouvido está atento para captar situações, auscultar seres e coisas, pulsações e frêmitos que correm no rio da vida. A mensagem é endereçada em muitos casos mais aos ouvidos do que aos olhos. Não pretende deixar nada na escuridão e frieza. Seu estro murmura nos acordes da tristeza, adeus, agonia, lamento e grito.  Passado e presente são auscultados no presente para a sugestão r muitas vezes de um sentimento único: o amor.

Em Firmino Rocha, poeta de expressão fácil, verso de tonalidades leves, um canto de amor emerge do eu lírico, ingênuo no modo de sentir o mundo. Ao fugir do real circundante, recheado de horas doloridas, que os olhos não chegam a compreender, o transe imposto ao poeta o impele para outra paisagem, de aflição que atua como âncora. Provoca uma poesia que, mesmo dolorida na captura da vida, flui com ternura. Acontece com forte apelo naqueles poemas em que o fluxo lírico traduz   a angústia de ser  ante o mundo: os pesares permanecem em companhia  dos recônditos  por quem se vê ilha  em seu estar no mundo.

De tendência intimista, no seu verso tão somente pulsa a emoção, que acontece pelas arestas do coração, ofendido pelo mundo áspero que fere. Os olhos tentam colocá-lo distante, mas não conseguem. A dor e a saudade, no seu banimento impossível,    irrompem num facho de luz repentino para externar  a solidão, tornada queixa  no gesto que é uma profusão enorme  entre o dramático,  com seus delírios, e o lirismo,  com a  sua pureza incrementada na verdade.

  O som como elemento necessário forma o ritmo, que emana suave e flui do verso com espontaneidade. Associada ao som, sua poesia tem assim entonação musical, embora nem sempre a intuição compareça no texto verbal com bons resultados. É ausente de síntese na reflexão crítica, sem tendência conceitual, emotiva por excelência submete-se aos instantes do  eu profundo. É como o ar que o próprio poeta respira, nesses encontros inevitáveis da solidão de quem, perturbado na alma, sofre e sente, resiste e chora.

A poesia tomada nessa latitude não deixa de ser comoção, tornada   em linguagem condensada, intensa e plural no seu significado.  Há quem afirme que nessa postura do sensível, com suas formas calcadas no eu lírico, a poesia obedeça ao ritual simbólico da escrita para revelar uma ideia. Argumente contra os que acham que é a razão que faz o outro se sentir bem, conhecer o inexplicável, esclarecendo que a poesia através de emotiva pulsação interior traduz murmúrios que estremecem, encantam e comovem. Consegue demonstrar, em sua linguagem aparentemente prosaica, que um poeta nem sempre se apoia em formas frias, não é um operador de modelos reflexivos que buscam unir o ser humano, contraditório, finito, a momentos da palavra tomada emprestada à razão para pronunciar os indícios históricos da existência.

                   Poeta que marca a palavra com o abraço da paz e a lágrima do amor, Firmino Rocha é mais um caso de resistência da poesia. Do homem que, ilhado na cidade do interior, de ambiência literária incipiente à sua época, assume em sua feição heroica e santa o lado do sonho, da loucura iluminada. Expressa por meio de intuições e emoções a solidão solidária que encontrou como maneira de exercer a dialética do silêncio para não sucumbir ante a opressiva lei da vida.

Para esse poeta de Itabuna, o poema é sangue e ar, calvário e canto que redime, pilastra que sustenta a dor de si e de muitos, ponte de inquietudes que se estende “prenhe das águas encobertas e das ramagens emudecidas.” Dostoiewsky disse que a Arte salvaria os homens, o poeta Firmino Rocha acredita que só o poema pode trazer-lhe o sonho da amada e salvá-lo, como numa prece, das paragens cegas da noite sem beijos e canções.

 Era sua crença:

 

Só um poema pode

esta angústia afugentar

esta tristeza exilar

esta escuridão espantar

 

Defensor dos valores eternos, como a liberdade e a paz, em versos que se vestem com auroras e vertem estrelas, tem como um de seus temas preferidos o da inocência que se escondeu com a infância. A sua lira, que sobe “o manto azul da lua cheia” e se desperta na janela pela voz de três baladas, canta a saudade, o amor, a  infância, o mistério que cerca seres e coisas nesse velho mundo impossível de ser elucidado nas  propostas íntimas de  uma canção constante. Firmino Rocha canta os mares pressentidos de angústia e pranto, o eu lírico livre e sereno aparece no verso espontâneo “colhendo do amanhecer os seus milagres.” Canta a morte do desesperado negro Stanley, que na terra de Tio Sam cometeu o pecado de amar uma mulher branca.

Ânsia, lágrima, o beijo perdido para sempre, paixão, lembrança, tudo isso está na poesia de Firmino Rocha, com seus vícios e virtudes.  Nela há sempre a necessidade de amparar a solidão na companhia de sons e na magia de sonhos. Poesia feita de recados, desejos impossíveis, indagações sem resposta, pranto e distância. Filho do chão cacaueiro baiano, descendente de família pioneira na conquista da terra, sua poesia não  tem o som épico e dramático que impõe o tema urdido  num contexto que  ao longo do tempo implantou  uma civilização singular, portadora de valores materiais, tipos e costumes com bases na lavra dos frutos cor de ouro.    

O poema “Deram um fuzil ao menino, pungente canto de ternura feito como protesto contra a guerra (1939-1945), tem arrebatado o brilho de toda a poesia do autor de O canto do dia novo (1968). Há forte versão entre os conterrâneos de que esse poema está gravado, em bronze, na sede da ONU, em Nova Iorque. Figura em antologia de poetas do mundo todo, editada pela Organização das Nações Unidas. Mas não existem provas de que tais fatos sejam verdadeiros. Pode ser uma lenda, criada pelos seus conterrâneos e admiradores, para que o mito ganhe circulação internacional nos  ares locais,  com meros propósitos ufanistas.

A poesia reunida de Firmino Rocha foi publicada numa co-edição da Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, e Fundação Itabunense de Cultura, na gestão do professor Flávio Simões. Iniciativa louvável porque até aquele momento, inclusive entre seus conterrâneos, o poeta continuava inédito. Falava-se mais de Firmino Rocha como autor do poema “Deram um fuzil ao menino” e pouco se tinha  conhecimento  do seu legado poético.

 Certamente a publicação de sua obra, reunindo diversos poemas esparsos por  jornais e oferecidos a amigos em mesa de bar, é uma forma de perpetuar esse poeta sul baiano,  resgatar e  preservar  a memória cultural do sul  da Bahia  Poderia ser  uma boa oportunidade para inserir documentos e iconografia pertinente  no livro Firmino Rocha – Poemas escolhidos e inéditos (2008) e fazer a comprovação  em definitivo  que o poema “ Deram Um Fuzil ao Menino” encontra-se realmente   gravado na ONU, em  bronze, além de participar  de antologia importante no exterior.

Os comentários continuarão em torno do assunto informando que os fatos que envolvem o poema famoso com possível repercussão na ONU são verdadeiros.   Pelo sim, pelo não, com a palavra os estudiosos de literatura, pesquisadores e historiadores da terra do poeta.

           Um adendo. Solicitei ao meu tradutor nos Estados Unidos, Fred Ellison, professor emérito da Universidade de Austin, no Texas, para verificar se o poema “Deram um fuzil ao menino” achava-se gravado em bronze na ONU. E se pertencia a uma antologia da paz publicada pela ONU com poetas do mundo. A busca exaustiva foi realizada por um parente de Fred Ellison, funcionário da ONU. E nada foi encontrado que comprovasse estar gravado na ONU o célebre poema do poeta itabunense. Nem antologia nem nada. Até que prove o contrário, para mim é lenda este assunto que os aligeirados gostam de propagar como verdade. 

 

Referência

 

ROCHA, Firmino. Poemas escolhidos e inéditos, Via Litterarum Editora, Itabuna, Bahia, 2008.

 

 

 

Academia de Letras da Bahia e Eletrogóes concedem Prêmio ao Escritor Cyro de Mattos


A Academia de Letras da Bahia e a Eletrogóes  concederam o Prêmio Conjunto de Obra deste ano ao escritor Cyro de Mattos, autor baiano (de Itabuna), com cerca de 50 livros pessoais publicados, de diversos gêneros,  organizador de dez antologias, também editado em Portugal, Itália, França, Espanha, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, além de participar de dezenas antologias no Brasil e exterior. Neste ano, Cyro de Mattos publicou os livros Prosa e Poesia no Sul da Bahia, ensaios, Infância com Bicho e Pesadelo, contos, na Coleção Mestres da Literatura Baiana, e O Discurso do Rio, poesia, em Portugal.

 O Prêmio Conjunto de Obra Academia de Letras da Bahia e Eletrogóes consiste em uma placa alusiva à obra do escritor homenageado e valor em espécie, que serão entregues ao agraciado em sessão online, na festa de confraternização natalina da Academia de Letras da Bahia, em data a ser designada neste mês de dezembro. Este prêmio é o mais elevado da Academia de Letras da Bahia e já foi conquistado nas edições anteriores pela poeta Myriam Fraga, escritor Hélio Pólvora,  educador Edvaldo Boaventura, historiador João José Reis e romancista Gláucia Lemos.  


105 anos de Adonias Filho


A Academia de Letras de Itabuna – ALITA comemora o aniversário dos 105 anos de nascimento do escritor Adonias Filho – patrono da instituição. Esta será uma celebração, por meio virtual, na plataforma do You tube academia de letras de itabuna, sexta-feira, dia 27 do corrente mês, às 16 horas. É imperativo lembrar o nome do literato, saudá-lo, preservar sua memória, enriquecer horizontes para leitores iniciantes e, prover para os habilidosos e mais experientes, o prazer do reencontro com refinada obra Adoniana.

A homenagem acontecerá no formato de mesa para falas, no mesmo dia em que se comemora o aniversário do autor, e terá como participantes: o escritor Cyro de Mattos membro das Academias de Letras da Bahia de Ilhéus e Itabuna; a jornalista Ludmila Bertié – sobrinha-neta do escritor Adonias Filho; Roberto Sávio Rosa prof. de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC; Marcus Mota professor de teatro da Universidade de Brasília e Silmara Oliveira presidenta da ALITA prof. e mestra graduada na UESC.

Adonias Filho é um dos grandes porta-vozes da região em termos de literatura regional e nacional, imortalizado pela Academia Brasileira de Letras, é traduzido, em várias línguas, tem um trabalho intelectual de fôlego intenso, atuando como jornalista, romancista, novelista, ensaísta, tradutor e crítico literário. Intelectual de ampla atuação no âmbito governamental, foi Diretor da Biblioteca Nacional, Diretor do Conselho Nacional de Cultura, Diretor do Serviço Nacional de Teatro, entre outros. Viajou pelo mundo, mas esteve sempre com o coração nas matas cacaueira.

No campo da escrita, a sua é conceituada como escorreita e precisa, tendo o dom de aprofundar temas e personagens sem preencher páginas desnecessárias em repetições. Inscreveu a região no plano do trágico pelos homens e histórias de violência e ações bárbaras. Foi um gigante compondo uma narrativa com forma e conteúdo denso e humano. Inseriu a mulher no plano da heroína dando voz ao gênero feminino, num cenário de pouca sensualidade, a mulher governa e define em muitos de seus romances e novelas. Há muitos estudos sobre sua obra, principalmente, chama a atenção o drama da morte, presente nos seus livros tanto ou mais quanto a própria vida.

E neste contexto de realidade e ficção da arte literária, a ALITA tem realizado, desde agosto, o Sábado Liter–ALITA, sempre às 17 horas, com atividades virtuais, respeitando os parâmetros atuais de comportamento desde que se iniciou a pandemia do corona vírus. Recebemos convidados para falar de literatura nas plataformas digitais de forma proveitosa.  Excepcionalmente, nesta sexta feira, 27 de novembro às 16 horas, reafirmamos o convite: venha participar conosco do aniversário dos 105 anos do escritor Adonias Filho.