Convite






ALITA- Parabéns pela existência e importância



Por Silmara Oliveira

A literatura espelha a sociedade ao modo dos artesãos que lhes dão vida. Ora alegres e humorados, ora extenuados pelas causas sociais. Outras vezes, prescrutadores  do interior e das  paisagens  humanas. Ela segue sob matizes de diversas cores e estações, sentimentos e provocações, oscilando conforme as mudanças terrenas. Soberana, alarga-se ao longo das idades e do tempo.

E por ser uma casa de letras, leitura e literatura, parabéns à Academia de Letras de Itabuna – ALITA na imortalidade de seu patrono Adonias Filho que certamente a veria como um refrigério, um avarandado lugar de benfazeja esperança para a sociedade itabunense e regional, espargindo raios e gotas de conhecimento. A Academia com tão tenra idade assemelhando-se à delgada e sensível planta e, seu patrono à forte  e robusta matriarca no íntimo da Mata Atlântica, árvore de frondoso saber, ambos simbolizando o começo e  perenização, o nascimento e a solidez da cultura.

Por tudo que já se fez e ainda se fará, salve a todos quantos desempenham a função sublime de aconchegar os que labutam com as palavras, ainda que seja vã, à guisa de Drummond. Em nome do Memorial Adonias Filho, vida longa à ALITA e seus trabalhadores de escrita e de sustentação. 

Sobre os 100 Anos da Saraiva



Por Cyro de Mattos*


Este ano, no dia 13 de dezembro, o Grupo Saraiva completará 100 anos. Em comemoração, está  elaborando algumas ações que serão realizadas ao longo do ano. Uma delas é a criação de um hotsite para divulgação dessas ações. E, nele, irá também publicar depoimentos de pessoas que fizeram parte dessa história. Maria Regina de  Mello, do departamento de Marketing, solicitou-me um depoimento, contando brevemente um pouco de minha  história como autor publicado pela Saraiva e o que representa fazer parte desse centenário.

Leia, a seguir, meu breve depoimento.

“Publicar um livro por uma editora tradicional e expressiva como a  Saraiva  torna-se um prêmio dos mais importantes para o autor de livros infantis. Quando o autor está em começo de carreira, esse prêmio é ainda mais fascinante. Foi o que aconteceu comigo. O fato ressoou dentro de mim como algo que de repente se transformou de sonho em realidade, envolvendo-me com suas ondas cheias de alegria.

Tudo começou quando enviei  para o conselho editorial da Saraiva  os originais de O Menino Camelô  em 1991. Tive a grande satisfação de saber que meu livro havia sido aprovado para participar na Coleção Mindinho e Seu Vizinho, a qual estava sendo criada à época  pela doutora Samira Youssef. Ano depois, tive uma surpresa agradável.  O livro ganhou o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes, considerado como o melhor do ano nas letras infantis brasileiras.

 De lá para cá, O Menino Camelô  já alcançou mais de  doze edições. Vendeu mais de 120 mil exemplares. Circulou nas livrarias e na sala de aula de escolas brasileiras. Foi adquirido por programas de órgãos de educação e cultura do governo brasileiro. Foi assim o livro que me lançou como escritor nacional e me incentivou a continuar na jornada literária.

Já publiquei cinqüenta livros,  quarenta e dois no Brasil e oito na Europa. Desse conjunto quatorze  são para crianças.  Além de O Menino Camelô, de poesia, publiquei mais quatro livros infantis  pela Saraiva, todos eles com reedições:  O Circo do Cacareco, Histórias do Mundo que Se Foi, O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol, O  Menino  e O Trio Elétrico,  que foi também publicado na Itália. Vários poemas meus foram extraídos desses cinco livros e estão inclusos em antologias e livros de didática infantil.

Um autor é mais conhecido quando mais divulgado por editora séria no circuito nacional. É o que sempre acontece comigo quando o selo editorial no meu  livro é da Saraiva.  

Felicito o grupo Saraiva pelos 100 anos de existência, de intensa divulgação e celebração do livro, numa amostra exemplar  de que o mesmo continua vivo, embora sofra a mudança de suporte hoje. A contribuição exemplar do Grupo Saraiva em prol da nossa cultura ressalta que o Brasil é possível,  com pessoas e livros, como já dizia Lobato”.   


*Cyro de Mattos é autor de 50 livros. Premiado no Brasil e  exterior.Tem livros pessoais publicados em Portugal, Itália, Alemanha e França.  Membro Efetivo do Pen Clube do Brasil e da Ordem do Mérito da Bahia. 

Morre o Notável Romancista Gabriel García Márquez




 Por Cyro de Mattos


Considerado um dos mais importantes escritores do século 20, o  colombiano Gabriel García Márquez morreu  na quinta-feira última,  17 de maio,  aos 87 anos, na cidade do México, vítima de um câncer nos rins. Seu corpo foi cremado em uma cerimônia privada e restrita à família. Metade das cinzas ficou com o  México, a outra  com a Colômbia, Gabriel Garcia Márquez, chamado de Gabo pelos amigos, nasceu no dia 6 de março de 1928 na aldeia de Aracataca, na Colômbia, não muito distante de Barranquilla.

García Márquez ganhou sucesso internacional após a publicação do romance "Cem anos de solidão", em 1967. Para o grande romancista peruano Maria Vargas Llosa, o livro foi considerado o maior acontecimento da novela depois de “Dom Quixote”, de Cervantes. Exemplo máximo do realismo fantástico – gênero característico do boom latino-americano da segunda metade do século XX –, "Cem anos de solidão" se passa na fictícia aldeia de Macondo e acompanha, ao longo de gerações, a saga da família Buendía.

Dalton Trevisan, um dos mais importantes autores brasileiros no século XX,  não conteve seu entusiasmo ao ler “Cem anos de  solidão”, chegando a afirmar que  o Brasil merecia um romancista como Gabriel Garcia Márquez. A obra-prima de García Márquez  vendeu, até hoje, mais de 50 milhões de exemplares. Foi traduzido para 35 idiomas. Enquanto isso, entre os títulos mais conhecidos do autor de “Cem anos de solidão”, estão ainda  "A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada", "O outono do patriarca", "Crônica de uma morte anunciada", "O amor nos tempos do cólera", "Do amor e outros demônios", "Memórias de minhas putas tristes", “Ninguém escreve ao coronel”, “O Veneno da Madrugada” e “Olhos de cão azul”.

Sobre “O amor nos tempos do cólera”, Garcia Márquez comentou ter sido a época em que foi quase completamente feliz. “Gostaria que minha vida fosse como naqueles anos em que escrevi 'O amor nos tempos do cólera'", afirmou ao “New York Times”, três anos após a publicação do romance. Nesta obra,  o autor resgata a verdadeira história da paixão de seu pai, também Gabriel, por Luiza, sua mãe. O pai dela  não aceitava a relação e conspirava contra a união. No romance, o casal se chama Florentino e Fermina. "Todas essas coisas para mim são parte da nostalgia. Nostalgia é uma fonte incrível para inspiração literária e para inspiração poética”, observou na mesma entrevista ao “New York Times". 

Além de romancista,  Garcia Márquez é contista e novelista de fatura exemplar. Imaginação fecunda e narrativa fluente são marcas definitivas no comportamento de sua escrita. Tem inúmeros contos que participam em importantes antologias internacionais do gênero. Certa vez declarou que suas influências são Virgínia Woolf. Ernest Hemingway, “As mil e uma noites” e seu pai. É dele a frase de que é fácil lembrar quando se tem a memória. Difícil é esquecer quando se tem o coração.


ALITA - MAIS UM ANO DE VIDA E DE LUTA





Por Aleilton Fonseca

Ao comemorar mais um ano de atividades, a Academia de Letras de Itabuna vem cumprindo uma missão social muito importante. Ao reunir escritores, educadores e estudiosos de literatura, a entidade assume a função de fomentar a leitura, debater ideias, promover e divulgar fatos literários e culturais. Também se propõe a promover o convívio dos seus membros, estimulando a aproximação e a  amizade, a troca de experiências e o reconhecimento do valor das ações de seus membros. Dessa forma, o aniversário da ALITA demonstra o vigor de sua permanência, a superação de dificuldades e o chamamento de seus membros para o trabalho coletivo de construção. 

Uma sociedade reconhece sua identidade através de suas representações culturais, entre as quais destaca-se a literatura, sobretudo a poesia e a ficção. Numa região tão rica em escritores e obras literárias, as academias são vetores fundamentais, através dos quais se materializam os ideais e as vocações, para difundir e renovar as diversas manifestações culturais. No entanto, os entraves e as dificuldades são muitas, e quase intransponíveis. Portanto, parabéns à ALITA por resistir, por sobreviver, por existir. 

CEM ANOS DE SAUDADE






Por Raquel Rocha


Algumas pessoas não deveriam morrer. Pessoas que dedicam sua vida a fazer o bem, pessoas que dedicam sua vida ao conhecimento e pessoas que dedicam sua vida à arte. Gabriel Garcia Márquez se encaixa nesta última. Cada livro seu era uma verdadeira obra de arte que mudava a nossa forma de ver e sentir o mundo.

Nasceu no início do século passado, em 1927 na pequena cidade de Aracataca, Colômbia. Cresceu ouvindo as histórias do seu avô que havia lutado na Guerra dos Mil Dias. Passou a juventude mergulhado em livros. Era leitor de Franz Kafka... Mais tarde, abandonou o curso de Direito para trabalhar como Jornalista.

Publicou seu primeiro livro "A Revoada (O Enterro do Diabo)" aos 28 anos em 1955. Mas foi 12 anos depois, em 1967 que se tornou conhecido mundialmente com "Cem Anos de Solidão". Ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1982 pelo conjunto de sua obra. Foi traduzido para 36 idiomas com mais de 40 milhões de livros vendidos.

Em 2012 seu irmão anunciou que Gabriel fora diagnosticado com demência e por isso não voltaria a escrever. Aquela foi a primeira morte do escritor, que diante da impossibilidade de exercer sua arte deixou um pouco de viver. No entanto, confesso que durante esses dois anos nutri a esperança de que ele, num surto de lucidez, escrevesse ainda alguma coisa, um conto, algumas linhas, algumas palavras... E talvez essas palavras o curassem, porque as palavras são mágicas quando escritas por um gênio.

Gabriel Garcia Márquez é um dos responsáveis pela minha adoração a literatura.  Li “Cem anos de Solidão” aos 11 anos e fiquei encantada. Passei noites sem dormir agarrada a “Do Amor e Outros Demônios“,  quis me molhar com a chuva de “La Mala Hora”, me diverti com as Memórias de suas Putas Tristes e “O amor nos Tempos do Cólera” mudou o meu conceito de amor verdadeiro.

Nesta quinta-feira, 17 de abril de 2014, aos 87 anos, Gabriel Garcia Marquez morreu em sua casa, na Cidade do México, onde morou nos últimos 30 anos. Nem depois de ler a notícia diversas vezes consegui escrever esse texto com os verbos no passado, porque pessoas como ele nunca vão embora, atingem a imortalidade através de sua obra e permanecem sempre conosco.

A Saudade, título desse texto, não  é pela sua partida é saudade de tudo que ele poderia ter escrito mas o tempo não permitiu.

Vai em Paz Gabo. 


"Não senti dor nem medo, mas a emoção arrasadora de ter conseguido viver até ali."     (Gabriel Garcia Márquez)

VIDA LONGA AO LIVRO




Por Ceres Marylise

No próximo dia 23 de abril comemora-se mais uma vez o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, oficializado pela UNESCO em 1996 e festejado em mais de cem países. 

Com o surgimento de novas formas de leitura e de novas tecnologias, a edição de livros na forma convencional tem suscitado amplos debates evidenciando preocupação com o futuro do livro impresso.

Já possuímos o livro digital: nunca tantas ideias foram escritas e divulgadas quanto agora, na era digital. Lê-se cada vez mais em tablets e celulares.

Sejam quais forem as suas formas, os livros sempre serão a celebração do conhecimento e do registro da memória da humanidade. Como amigos nos proporcionam diálogos e questionamentos constantes e a boa leitura é uma experiência mágica, um ato de prazer e de paixão.

A globalização só nos trouxe maior exclusão social e solidão. O mundo atual é permeado pelo paradoxo da incomunicabilidade e nessa epidemia de contradições e incertezas o livro ainda é a maior arma para manutenção dos valores essenciais do homem colocando-se acima de todas as guerras, modelos econômicos e credos.


Desejo vida longa ao livro!

A COPA DO MUNDO DE 1966

Por Cyro de Mattos

Fui redator do Jornal do Comércio no Rio, anos 60. Às vezes aparecia na Cinelândia pela tarde quando encerrava o trabalho no jornal. Ia tomar uns chopes no Amarelinho, bar que ficava em frente da praça. Acomodado na cadeira de uma das mesas, junto à porta de entrada, ficava dali vendo a vida desfilar no ritmo agitado da cidade grande.

Apesar de já estar quase um ano no Rio, não havia me acostumado ainda ao ritmo impulsivo da metrópole. Causavam-me espanto rostos anônimos que passavam apressados a todo instante, carros velozes que cantavam os pneus no asfalto, subindo rumo à Zona Sul. Os que seguiam disparados para a Zona Norte desciam pelo outro lado da Cinelândia, na avenida Rio Branco, onde ficava a Biblioteca Nacional.

As distâncias grandes, edifícios de muitos andares, túneis, viadutos e avenidas formavam uma paisagem que me parecia cheia de solidão, ocupando um espaço vazio próprio da selva feita de cimento e pedra. Embora soubesse que naquele tempo ainda se podia andar a pé, à noite, por certos lugares do Rio. Do Catete ao Largo do Machado, caminhei sozinho várias vezes à noite e nunca fui assaltado. De vez em quando ia tomar uns chopes no restaurante Lamas, perto do Largo do Machado. Por lá chegava o conterrâneo Alberto Silva para conversar sobre literatura e cinema.

Na Copa Mundial de Futebol de 1966, realizada na Inglaterra, fui à Cinelândia três vezes em menos de dez dias, para assistir no telão armado na praça os jogos da Seleção Brasileira. Queria ver o Brasil sagrar-se campeão mundial de futebol em gramados estrangeiros pela terceira vez e comemorar a conquista do título no meio do povo. Havia uma euforia que contagiava a todos na praça. Éramos os melhores do mundo, disso ninguém tinha dúvida, não dava mesmo para nenhuma seleção deste planeta ganhar da nossa formada por craques e dois gênios. Quem tinha Pelé, um rei que surgiu nos gramados da Suécia, na Copa de 1958, quando fomos campeões mundiais de futebol pela primeira vez, e Garrincha, o das pernas tortas, que ganhou sozinho a segunda Copa Mundial de Futebol para o Brasil em campos do Chile, em 1962, com suas jogadas e gols espetaculares, só podia ter a certeza de que mais um título de campeão mundial de futebol viria para as nossas cores sem maior esforço.

A primeira partida contra a Bulgária deu a entender que o terceiro título de campeões mundiais de futebol chegaria daí a algumas semanas. Era só esperar, ver e festejar. Aquele gol de falta que Garrincha bateu, a bola entrando na rede adversária sem que o goleiro visse por onde havia passado o passarinho, só trazia ventos da felicidade. Gritos, abraços, pulos e vivas dos que estavam fazendo a corrente da vitória na Cinelândia.

A decepção veio com a segunda partida quando o Brasil jogou contra Portugal. A seleção portuguesa sempre fez jogo duro com o Brasil. Havia formado um time que era tido como um dos favoritos para ganhar a Copa Mundial de Futebol de 1966. O arqueiro Costa Pereira, o marcador implacável Vicente, o maestro Coluna, o goleador Eusébio e o ponta Simões destacavam-se numa seleção que vinha encantando platéias em gramados da Europa. O jogo causou espanto e medo aos torcedores na Cinelândia, que viam a defesa portuguesa sem dar espaço a Pelé, caçando o rei com pontapé e empurrões a todo instante. Faltas eram cometidas no rei, uma atrás da outra, sem que o juiz expulsasse um jogador português sequer. Pelé saiu de campo contundido e não mais voltou.

Perdemos o jogo por três a um. E ficaram dúvidas quanto ao desempenho do Brasil no próximo jogo. Nossa seleção mostrava falta de preparo físico, sem tática, desorganizada e individualista. Parecia um bando de jogadores espalhados no gramado. Não mostrava garra em cada jogada enquanto Portugal executava um futebol solidário, compactado. Tinha um ritmo veloz, disputando a bola com valentia em qualquer parte do campo.

A decepção da derrota para a Hungria, pelo mesmo escore que Portugal nos impôs, dessa vez foi mais amarga. Pela primeira vez a Seleção Brasileira havia sido eliminada de uma Copa Mundial de Futebol na primeira fase.

A verdade do desastre de nossa seleção em gramados da Inglaterra estava ali mesmo na Cinelândia, coberta de silêncio em seus ares fúnebres. O futebol arte tinha sido vencido pelo futebol solidário, de nada mais servia a nossa habilidade, improviso, magia e outras qualidades insuperáveis, que só o jogador brasileiro possuía.

A cena que vi com um senhor sentado no banco da praça afastou um pouco minha tristeza de torcedor frustrado. Ele dava comida aos pombos. O mesmo homem tão do mundo, apaixonado como eu pela Seleção Brasileira de futebol. Achava um lugar ao sol na praça deserta onde os pombos formavam uma bela aparição. Igual a uma vez que eu vi na Praça da Matriz, em São Paulo. Os pombos baralhavam em festa tormentas, dissabores, suavizavam o audaz andarilho, naquele momento em estado de graça.

O GOLEIRO LELETA NA SALA DE AULA



O livro "O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol", de Cyro de Mattos, Editora Saraiva, que ganhou o Prêmio Adolfo Aizen Hors Concours da União Brasileira de Escritores (Rio), em 2002, foi adotado pelo Colégio Militar de Itabuna para ser estudado em sala de aula, neste ano de Copa do Mundo,  perto de ser realizada no Brasil. O livro que já vinha tendo várias reedições pela Saraiva,  está sendo adotado também agora  em escolas do sul da Bahia, Salvador e São Paulo. Encontra-se em exposição permanente para leituras no Museu do Futebol da Arena Maracanã, Rio, ao lado de livros sobre futebol, de Ziraldo e Bartolomeu Campos Queirós, mestres da literatura infantil brasileira. 

O POETA E SEU PÁSSADO DE VIDRO

Por Cyro de Mattos                  
                              
             
Eis que me chega às mãos  o livro de um poeta estreante. Nessa enxurrada de poetas intragáveis que andam por aí, alvíssaras para  o  baiano (de Muritiba ) Carlos  Machado com os poemas reunidos no livro  Pássaro de Vidro. Esse poeta estreante armazenou durante anos as inquietações de seu trânsito no mundo e assimilou também as experiências de  poetas de primeira grandeza. Amadureceu em silêncio, preferindo o procedimento do qual se elabora a  obra poética  através  do exercício qualificado, escrevendo e lendo, lendo e escrevendo, dotando seu talento de uma razão emotiva de natureza crítica, até chegar o momento de se lançar como poeta crescido.

Esse pássaro que ele  apresenta  em versos concisos não soa nem ressoa em seu espaço de vidro. Não voa, mas serve para apreender as horas  no precipício da memória com a intervenção do tempo sem  brisas. Essa ave pedestre com sua alma de relógio solta do bico  ambigüidades de voo solitário em torno das dimensões do homem no tempo.  Engaiolada no silêncio de si mesma, com  garras afiadas  desnuda suas penas nos ácidos do tempo  para que se conheça a cadência contraditória e falha da vida. Assim permanece em diálogo crítico com o outro mais o mundo, eis que constata que o direito não há e não faz sentido quando existe um prazo para tudo que nasce, desenvolve-se com ânsias e sombras para ser represado no córrego das horas. 

A motivação e a transpiração em cada poema que esse pássaro de vidro engendra  participam de versos contendo imagens significativas no discurso que diz  muito com poucas palavras. Esse pássaro de cego olhar para flagrar as fissuras e rupturas da vida  dá continuidade à metáfora da poesia como forma de conhecimento do mundo. Ele surpreende a agonia de vozes quanto mais essa máquina da existência  descortina o verso inverso  dos sentidos. Demonstra assim que os dentes dessa máquina, que se chama vida,  não descansam em cada momento  da  moagem do homem pelo tempo.

A linguagem que usa  para informar sobre a substância  dessa ânsia nas horas do mundo vem acompanhada de um ritmo sóbrio. Estrutura-se com recursos que traduzem sentidos importantes  quanto à impossibilidade de seu voo estranho, mas que  nos encanta em seu modo de flagrar os instantes da existência.  O teor de  cada poema, o ritmo  e a imagística ajustam-se à harmonia de seu trinado.  Com coerência esses meios encaixam-se nos juízos  e ideologia reflexiva dos versos. Por isso mesmo não é um poeta descritivo nem romântico moderno. Participam do discurso apurado  questionamentos, afirmações e constatações do homem fisgado pela engrenagem dessa máquina movida na vertigem de cada giro, no jogo intervalar  por entre os círculos da vida e da morte.

O livro de estreia do poeta Carlos Machado divide-se em três partes: horológio, pássaro de vidro e garrafa de náufrago. Na primeira,  o poema “Punhais” informa que os punhos do tempo são como  ponteiros de metal  cravados “na pele fria de  cada hora que vai”. Na segunda,  o poema   “Pássaro de Vidro (3)” constata que: “ o pássaro é cego/ e cego é quem se agita/ em seu espaço/ ambíguo”. Na terceira, o poema “Homem-Bomba” questiona o que pensa esse personagem  “no exato momento de soltar o pino e estancar o tempo”. Já no poema “CPF”  pergunta-se se essa pessoa física em seu estar no mundo tem alma, alguma dor, carência ou padece.


A estreia desse baiano de Muritiba, radicado há tempos em São Paulo, responsável pelo boletim Poesia..net, no qual divulga os poetas expressivos de hoje e ontem,,  revela um poeta que não comete deslizes no conjunto de seus poemas agora reunidos em livro.  Não se trata de um poeta que acertou apenas em um, dois ou três poemas, eleito como maravilhoso por inúmeros  que não sabem ler o poema com olhos críticos  que veem e ouvidos afinados que escutam.  Não sabem distinguir  o poeta vulgar do consistente na forma e profundo no conteúdo. Enganam-se com o fazedor de versos bobos, confissões piegas, ébrios lamentos que não transmitem novos sentidos da vida, descrições fáceis nutridas da realidade objetiva.  Ao contrário, nada nesse Pássaro de Vidro   é gratuito, repetitivo, enfadonho.  Ele se expressa com um discurso lúcido, denso. Com imagens precisas descobre no simbolismo de seu estar no mundo a anatomia de coisas feita de momentos essenciais, para que assim seja visto em seu lado oculto o verdadeiro  lado de seu vulto. 

14 DE MARÇO: DIA NACIONAL DA POESIA E ANIVERSÁRIO DE CASTRO ALVES - A VIDA DE CASTRO ALVES EM VÍDEO-AULA

AUTO-RETRATO
Duas grandes comemorações marcam o dia 14 de março: no Brasil, comemora-se o Dia Nacional da Poesia e o aniversário do grande poeta Castro Alves (1847-1871).

A literatura de Castro Alves é o tema dessa vídeo-aula. Destaque para um dos poemas mais importantes do poeta: Navio Negreiro.








Fonte: iBahia


MOÇÃO DE PESAR PELO FALECIMENTO DE SEBASTIÃO SAMPAIO BANDEIRA, PAI DO NOSSO CONFRADE MARCOS ANTÔNIO SANTOS BANDEIRA





MOÇÃO DE PESAR


É com enorme consternação que os membros da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, recebem a notícia do falecimento do Sr. Sebastião Sampaio Bandeira, pai do confrade e ex-presidente desta casa Marcos Antônio Santos Bandeira, e por essa razão, externam os mais profundos sentimentos de pesar à família.  




 


NOVOS TEXTOS NA PÁGINA DOS AUTORES ALITANOS






PROSA


Ceres Marylise - RACIONALIDADE E LIVRE ARBÍTRIO  
                    

Cyro de Mattos - CARNAVAL


Gideon Rosa - A FLORESTA DAS ÁRVORES CENTENÁRIAS  


Marcos Bandeira - A VIOLÊNCIA E A SAÚDE PÚBLICA


Raquel Rocha - ENTREVISTAS



                       - PRIMEIRO DIA DE AULA DE LUNNA


Sônia Maron  - O MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO DEU A 

                         PARTIDA  

                         
                      -  MINHA POBRE BUERAREMA



POESIA 



Florisvaldo Mattos  -  TARDE DE AGOSTO - A Sosígenes Costa, in memoriam






8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


                                                                            


Nesta data escolhida para homenagear as mulheres, fazemos um convite à reflexão. Há muitas e diversas mulheres diferentes em raças, etnias,  idades e classes sociais que contribuíram e contribuem para o crescimento e o desenvolvimento de nosso país. Não aproveitar essas contribuições significa falta de visão política e humana. É retardar os avanços em direção a um desenvolvimento social da maior amplitude.

Mulheres precisam ter oportunidades e direitos iguais e respeitados. Como afirma a filósofa Hannah Arendt, “a essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos”. Para que isso se concretize, é necessário que olhemos essa diversidade, considerá-la, reconhecê-la e respeitá-la. Só assim poderemos viver em um mundo mais justo e igualitário.

A Academia de Letras de Itabuna - ALITA, nesta dia especial, homenageia todas as mulheres, em especial a grapiúna, tão honrosamente representada por valores que já se foram e se imortalizaram na memória de todos e àquelas que continuam enfrentando desafios e conquistando espaços enaltecendo nossa terra e nossa história.



 
2014

Foto de Dia Internacional da Mulher.



Logo na primeira vez em que foi indicada, Lupita Nyong'o derrotou grandes vencedoras do Oscar e faturou a primeira estatueta da carreira com a personagem Patsey, em "12 Anos de Escravidão".
No seu emocionante discurso, ela fez os agradecimentos de praxe, como para o diretor Steve McQueen e os atores Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender, mas também relembrou que o filme se trata de uma história real.

“Estar aqui me faz pensar que o momento mais feliz da minha vida veio após tanto sofrimento de Solomon [Northup, autor da história]. Solomon, obrigado por nos contar a sua história.”
Ela continuou: “Quando eu olho para esta estatueta, eu lembro de todas as criancinhas. A vocês, não importa onde vocês estejam, os seus sonhos podem se tornar realidade”.





  MULHERES QUE MUDARAM O RUMO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE


O assunto é polêmico, coberto de paixões e muitos podem até divergir desta minha lista, parcialmente ou totalmente. Claro que existem outras tantas que até seria difícil enumerá-las neste espaço, mas relacionei aqui aquelas que de alguma forma me tocam mais. Vamos a elas, então:

Cleópatra
É uma das mulheres mais conhecidas da história mundial por ter sido a intrigante rainha do Egito. Longe de ser apenas mulher fútil e entregue aos prazeres mundanos como muitos acreditam, Cleópatra foi uma grande negociante, estrategista militar, falava 6 idiomas e conhecia filosofia, ciências, literatura e artes gregas.

Joana D’arc
Ela foi uma importante personagem da História f rancesa, durante a Guerra dos Cem Anos , quando seu país enfrentou a rival Inglaterra. Desde criança ela tinha visões que a aconselhavam entrar para o exército. E assim ela o fez. Cortou o cabelo bem curto, vestiu-se como homem e foi lutar na guerra. Em 1430, foi capturada pelos borgonheses que a venderam para os ingleses. Acusada de praticar feitiçaria, foi condenada à morte na fogueira.Em 1920, foi transformada em santa da Igreja Católica.

Rainha Elizabeth I
Seu reinado foi considerado de paz e prosperidade, comercial e culturalmente. Ficou conhecida como “a rainha virgem” por nunca ter se casado. Governando um país dividido por questões religiosas, ela unificou a Inglaterra ao dominar a nobreza e afastar a Igreja do governo. Em 1588, abriu de vez o caminho para a Inglaterra se tornar a maior potência colonizadora do Novo Mundo. Para os ingleses, ela foi ótima. Já para os colonizados, nem tanto.

Marie Curie
A física polonesa Maria Skodowska Curie foi uma importante figura história da Ciência. Ela foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, ao se destacar como pesquisadora dos fenômenos radioativos. Com ela, começa a se desenvolver de fato a pesquisa da energia atômica.

Golda Meir
Ela se dedicou à causa sionista e foi uma das fundadoras do Estado de Israel, em 1948. Pelas posições que adotou quando primeira-ministra, em 1969, foi taxada de a "dama de ferro", bem antes do termo ser adotado para descrever a ex-premiê britânica Margareth Thatcher.

Virginia Woolf
Ela fez parte do grupo de Bloomsbury, bairro londrino que servia de ponto de encontro para os intelectuais que questionavam as tradições literárias, políticas e sociais da era vitoriana, cujos maiores objetivos eram a verdade, liberdade de expressão, amor pela arte e respeito à individualidade. Além de ser uma das maiores escritoras de todos os tempos, Virginia Woolf é reconhecida também como autora de livros feministas. O primeiro e talvez o mais importante deles é “A Room of One's Own (Um Teto Todo Seu), escrito em 1929, baseado em palestras feitas pela autora em colégios para mulheres.

Coco Chanel
Gabrielle "Coco" Chanel revolucionou a década de 1920. Libertou a mulher daqueles trajes desconfortáveis e rígidos do final do século 19, ao estabelecer o conceito da roupa feminina funcional. Além de dar à mulher um novo look, ela cria a imagem da nova mulher do último século: independente, bem-sucedida, com personalidade e estilo.

Angela Davis
Ela foi uma das mais obstinadas combatentes da discriminação social e racial durante a década de 1970, nos Estados Unidos. Começou a sua militância política em 1969, quando era estudante universitária. Em 1970, Davis passou a fazer parte dos Panteras Negras, grupo político e social de combate ao racismo. Atualmente, ela é professora do Departamento de História da Universidade da Califórnia.


 


8 de março de 1857 - o início de tudo

129 operárias foram mortas carbonizadas dentro de uma fábrica têxtil em Nova Iorque onde trabalhavam, porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho e contra a jornada de doze horas.




ALGUMAS CONQUISTAS SIGNIFICATIVAS DAS MULHERES BRASILEIRAS

 

Conquista do direito de estudar o ensino superior

1879 
Brasil

As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior, mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.
                                                         

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Primeira brasileira a receber um diploma de Medicina

1881 
Brasil

Maria Augusta Generosa Estrella (1860 - 1946) foi a primeira mulher do Brasil a receber um diploma de medicina, em Nova
Iorque, o que contribuiu para a abertura das faculdades às mulheres no Brasil.

Seu primeiro requerimento para prestar exames na New York Medical College and Hospital for Women não foi aceito, pois a idade mínima era de 18 anos e ela tinha apenas 16.

Mas Maria Augusta não desistiu e uma semana após enviar um segundo requerimento para expressar oralmente seus motivos, seu talento e inteligência foram reconhecidos e então ela foi aprovada.
 
Embora tenha se formado em 1879, Maria Augusta teve que esperar completar a maioridade, em 1881, para receber seu diploma. Ela ainda ganhou uma medalha de ouro pelo melhor desempenho durante o curso e por sua magnífica tese: Moléstias da Pele. 

Estreia da primeira maestrina nacional

1885
  
Brasil

Chiquinha Gonzaga estreia como maestrina. A primeira do país com a opereta " A Corte na Roça " e também dirige a banda da Polícia Militar.

 

 

 


Mulheres brasileiras conquistam o direito de votar



1932 


Brasil



O Governo de Getúlio Vargas promulgou o novo Código Eleitoral pelo Decreto nº 21.076, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras alfabetizadas.





 

 

 

Um dos destaques da psiquiatria brasileira

1933

Brasil


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Nise da Silveira (1905 - 1999) foi uma importante personalidade da psiquiatria brasileira.Interessou-se pelo estudo das pinturas de seus pacientes, sendo estimulada pelo psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica: Carl Gustav Jung. Trouxe os estudos de Jung ao Brasil, tornando-se, assim, a pioneira da psicologia junguiana do país.

Aprovada aos 27 anos num concurso para psiquiatra, em 1933 começou a trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha.

Dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamentos psiquiátricos de sua época, como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia

Durante a Intentona Comunista, após uma denúncia por ter livros marxistas, em 1936 foi presa durante 18 menes no presídio da Frei Caneca, onde conheceu Graciliano Ramos. Nisa Veio a ser uma das personagens do livro do autor: "Memórias do Cárcere".

Tamanho foi seu marco e importância que está sendo produzido um filme sobre sua jornada revolucionária, cujo nome será "Nise da Silveira - A senhora das imagens" e no qual a atriz Glória Pires a representará. O lançamento do longa está previsto para 2013.




 

 

Primeira mulher a ser diretora da Escola de Belas Artes

1952 
Brasil
Georgina de Albuquerque (1885-1962) foi pintora e professora. Uma das principais mulheres a se firmar como artista no início do século XX.
Em 1909, Georgina, com seu quadro Supremo Amor, conquistou menção honrosa no Salão Nacional de Belas Artes. A partir desse momento, seu talento passou a ser reconhecido no âmbito das artes nacionais.

Tamanha era sua importância para as artes, que, em 1952, assumiu a presidência da Escola de Belas Artes, a qual era extremamente conservadora e apresentava restrições até mesmo para as mulheres serem incluídas em seu corpo discente.

 

 

 

 


 

 

 

 

Nossa primeira deputada federal

 

1933 
Carlota Pereira de Queiroz foi eleita a primeira deputada federal do Brasil. 



Nossa primeira senadora

Brasil

Eunice Mafalda Michiles, nascida em São Paulo, torna-se a nossa primeira senadora. Em 1992, foi nomeada conselheira do Tribunal de Contas do Amazonas.


 

 

 

 

A Constituição Federal garante que homens e mulheres são iguais perante a lei

1988 
Brasil


Constituição Federal de 1988 (D. O. U., 05/10/1988)
Artigo 5º da Constituição Federal

Art. 5º.
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.


Primeira mulher eleita para a presidência da Academia Brasileira de Letras

1996 
Brasil

 

Nélida Cuiñas Piñon nasceu em 1937, no Rio de Janeiro, e é uma importante escritora brasileira. Em 1996 foi eleita Presidente da Academia Brasileira de Letras, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse posto. Com suas inúmeras obras em 35 anos de carreira, já recebeu diversos prêmios, sendo o mais recente o Prêmio Príncipe de Astúrias – Letras, de 2005. Dentre todos os escritores brasileiros, Nélida Piñon é a primeira a recebê-lo.




Sancionada a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

2006 
Brasil

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, a Lei Maria da Penha estabeleceu penas mais duras para os casos de agressão a mulheres, alterou o Código Penal e aumentou as formas de proteção às vítimas.