O Goleiro Leleta É O Mais Comprado no Shopping BOL




O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol, de Cyro de Mattos, publicado pela editora  Saraiva, na  Coleção Jabuti, está sendo anunciado no  Shopping BOL como o livro mais comprado no mês,  alcançando o índice de   73 por cento. Vem em seguida como os mais comprados, entre os livros paradidáticos da Saraiva, A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, A Tulipa Negra, de Alexandre Dumas,  e Harry Potter e As Relíquias da orte. Já em ortografia atual, numa segunda tiragem, o Goleiro Leleta venceu o Prêmio Hors Concours  Adolfo Aizen da União Brasileira de Escritores (Rio) em 2002.
O livro é constituído ainda das narrativas O Bahia Contra o Brasil, O Goleiro Galalau e O Dia em que Vi Garrincha Jogar. Tem um pé na infância e fala de futebol com sabor de lembranças: os tempos difíceis, as expectativas para assistir aos jogos da seleção brasileira, o desprezo da torcida, os jogos amadores no fundo de qualquer quintal ou em campinhos improvisados, debaixo de chuva ou sol escaldante.

Cyro de Mattos já publicou quatorze livros que são destinados ao público infantojuvenil, vários deles premiados em concurso de expressão nacional e, entre eles, O Menino Camelô, em décima segunda edição, Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, e Histórias do Mundo que Se Foi, Prêmio Adolfo Aizen, da UBE/Rio, que foi adquirido pelo MEC numa edição de seis mil exemplares para distribuição nas bibliotecas  brasileiras como integrante do Programa Nacional da Biblioteca Escolar e selecionado para o  Plano Nacional do Livro Didático. 

Antologia de Natal de Cyro de Mattos é Publicada no Chile






Organizada pelos poetas Alfredo Pérez Alencart e Luiz Cruz-Villa Lobos,  a Antologia Carne Del Cielo, de Poetas  Iberoamericanos de Hoje, publicada pela Editora Helbe, de Santiago do Chile,  reúne 47 poetas de Portugal, Brasil, América Hispânica e Espanha, e, nessa arca lírica, de fé poética e cristã,  procura celebrar o sensível e o humilde do Natal,   não  o vulgar consumismo revestido de superficialidade  sobre o nascimento do menino Deus, que veio ao mundo para salvar a humanidade. Os poetas brasileiros que figuram na antologia são Carlos Nejar, Álvaro Alves  e Cyro de Mattos.


Eis os  poemas de Cyro de Mattos, que figuram na antologia:


NAVIDAD DE LOS NIÑOS NEGROS

Vieron al viejo gordo
Con la barba blanca
En el televisor de la tienda.

Vivían en el cerro,
El hermano quería un avión,
Una muñeca la hermana quería.

Dejaron las sandalias
En la ventana al sereno.
Nada vieron al otro día.

Del punto más alto
Miraban las nubes blancas,
Quietas en el azul del cielo.

La ciudad a sus pies,
Y en los jardines cada niño
Su juguete mostraba.

Ahí entonces supieron
Cómo el mundo se escondía 
De Jesús, María y José.

La Navidad era la lágrima
Que descendía del rostro
Y una canción deshacía. 



PESEBRE
  
Del cielo de los cielos
Una estrella
Que anuncia
Solo amores
Para iluminar
Las pobrezas
De esa tierra.

En el pesebre
Olas mecen
Al niño en la cuna
Hecha de paja.
¡Es Navidad! ¡Es Navidad
Los animales anuncian.

Cantan los ángeles,
Tocan los pastores
Sus dulces flautas.
Los reyes magos
Están sonriendo
De pura alegria.


HAIKU  DE NAVIDAD

Despuntan los verdes.
Vienen los azules. El bien
ahuyenta al mal.

(Traducciones de A. P. Alencart)  


HaikU DE NAVIDAD

Despuntan los verdes.
Vienen los azules. El bien
ahuyenta al mal.


(Traducciones de A. P. Alencart)  

Prêmio Pen Clube do Brasil 2015

  
Prêmio Pen Clube do Brasil 2015
Para Os Ventos Gemedores
Foi entregue a Cyro de Mattos no IHGB


O PEN Clube do Brasil realizou no dia 14 de dezembro de 2015,  no Terraço Panorâmico da sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), na Glória, Rio de Janeiro, a entrega do Prêmio Clube do Brasil 2015.  Na categoria narrativa, ganhou  o baiano Cyro de Mattos com o romance Os ventos gemedores, em poesia Izacyl Guimarães Ferreira com o livro Altamira e Alexandria, já em ensaio a vencedora foi Ana Ferro com Os papagaios amarelos na ilha do Maranhão. A Comissão julgadora do Prêmio Literário Nacional  Pen Clube do Brasil 2015 esteve constituída das professoras doutoras na área de Letras Luiza Lobo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Delia Cambeiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); e Maria Luiza Belotti, da Universidade Estácio de Sã do Rio de Janeiro.

Eis alguns escritores que  já ganharam o Prêmio Pen Clube do Brasil: Guimarães Rosa, Ferreira Gular, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Lígia Fagundes Teles,  Autran Dourado,  Gilberto Freire, Adonias Filho,Érico Veríssimo,  Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Cassiano Ricardo, Antonio Cândido, Antonio Torres, Herberto Sales, Alceu Amoroso Lima, Dalton Trevisan,  Fernando Sabino, Orígenes Lessa,   Helena Parente Cunha, Oto Maria Carpeaux, José J. Veiga. Rubem Fonseca, José Cândido de Carvalho, Pedro Calmon, Álvaro Lins, Cyro dos Anjos  e Guilherme Figueiredo.


 A entrega da premiação foi conduzida pelo escritor e professor doutor em letras, Claudio Aguiar. Após a entrega dos prêmios  foi realizado o jantar de confraternização dos associados do Pen Clube do Brasil.  Além da presença de mais de uma centena de sócios e convidados especiais, prestigiaram o encontro os Acadêmicos Geraldo Holanda Cavalcanti e Domício Proença Filho, respectivamente, Presidente e Secretário-Geral da Academia Brasileira de Letras; Victorino Chermont de Miranda, Vice-Presidente do IHGB; Levi Buchalem, ex-presidente da União Brasileira de Escritores (São Paulo) e, ainda, vários representantes de entidades literárias, culturais e artísticas. O cerimonial do jantar esteve a cargo do ator e dramaturgo, Sergio Fonta, membro titular do PEN Clube.

EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL 2015 e ANO NOVO



DEZEMBRO


                     Florisvaldo Mattos


 Menino ainda, costumava


romper o cristal da manhã

e do macio horizonte
cavalgar o aromado pelo
haurindo a seiva do dia, tanto me
comoviam os animais no campo.
Na adolescência,
ave, passei às mãos das incertezas:
como a mim permitiam decidi
a vida cantar por não ser nada.
Transitei pelos vales recolhendo
um pouco de mim mesmo em cada planta
na água dos riachos me banhava
da pedra me enxugava nas durezas
que ao vento domavam e refaziam
meu secreto saber.
Eu era agora um homem,
tanto me diziam, tanto me provava
o contato com os homens ou algo mais.
A lua cheia matava-me no silêncio
invariável lua que jamais cantei
por pouco ser e muito dizer.
 
Amanhecia por vezes sobre um couro,
transido de frio, sem pecados.
Amava a terra, doação da manhã,
mesmo quando armas rudes me cortavam
a fimbria da existência: eu era
um pouco das safras transportadas,
da poeira que tropeiros levantavam
misturada a rastos de sangue nas ladeiras;
“um cavalo cortado ao meio”, me diziam,
e isso valia como identificação
ao que vem e suporta seus tropeços.

  Os companheiros de infância,
muito bem mortos, lá estão
esculpidos em ecos, regressando
do afã diário aos búzios vesperais
ignorando armadilhas do sol-posto,
tanto falam-me os gestos, os ruídos.
E como vêm falar do que não foram!

Agora é dezembro, e pouco vale
um coração cruzado de datas,
mesmo punhais de lâminas fecundas,
rebrilhando ao sol do meio-dia,
de flores, de frutos na campestre senda.
Humilho-me por não ser o que mais fui,
consciente mas expondo-me aos assédios
de ventos ruminosos, águas várias –
– águas de aboio insopitado e lento.
Agora é dezembro: com seu penacho
de luz acende o caminho, incinerando
as fétidas lembranças, colorindo
ausências de sonora geometria.
Antes triste que perdido
Ao sol que nos confunde,
à chuva que nos vence.
Agora é dezembro, um mês guerreiro,
que doma sombras ao calor de espadas.
(Florisvaldo Mattos, Poesia Reunida e Inéditos, São Paulo: Escrituras Editora, 2011, p. 107).


 



Presépio
          Cyro de Mattos


Do céu dos céus
Uma estrela
Que anuncia
Só amores
Para iluminar
As pobrezas
Dessa terra.

Na manjedoura
Ondas embalam
O menino no berço
Feito de palha.
É Natal! É Natal!
Os bichos propagam.

Cantam os anjos,
Tocam os pastores
Suas doces flautas.
Os reis magos
Estão sorrindo
De pura alegria.





ERA ESSA A IGUALDADE QUE TANTO
FALAVAS, JESUS?

Ceres Marylise Rebouças

Mais um Natal se aproxima...
Para onde a cauda do teu cometa
nos apontará desta vez, Jesus?
Para um grande shopping cujas lojas
manipulam psicologicamente
nosso consumismo?

Para o corpo do menininho morto
jogado pelo mar numa praia da Turquia
e transformado em símbolo da tragédia
dos que fogem dos horrores das guerras
e da crueldade insana do Estado Islâmico
em seus países de origem?

Para outras nações onde igualmente
há guerras civis, econômicas, religiosas,
diplomáticas, químicas e biológicas?
Ou nos lembrará da constante ameaça
diante da existência de ogivas nucleares
que podem ser acionadas a qualquer momento?



Ah, Jesus! Como dói ver nosso planeta
povoando sua rota com homens inescrupulosos
que se insultam, que se chocam e que se matam
muitas vezes, pelo simples prazer de matar!
Que destroem velozmente a natureza
e cada ser vivo para fins lucrativos!

ERA ESSA A IGUALDADE QUE TANTO
FALAVAS, JESUS?

E no entanto, renascerás mais uma vez
no estábulo do coração dos homens
porque Natal não é tempo de odiar:
é tempo de esquecer, de perdoar, de amar,
e de fazer rebrotar a esperança!







O NATAL PEDE PASSAGEM

                                               Sônia Carvalho de Almeida Maron*
Vamos esperar um pouco antes de acender as luzes coloridas da árvore de Natal. É preciso enxugar as lágrimas do rosto dos franceses e assegurar às famílias de Paris que suas crianças não serão executadas nas escolas. Afinal, é Natal. A ameaça paira no ar, os terroristas já divulgaram o próximo alvo. Quem sabe, aguardarão mais um pouco. Quem sabe, desistirão. Cristo nasce e se renova na fé daqueles que acreditam Nele.

 É preciso analisar o cenário do mundo sob a ameaça do terrorismo e parte dele sobrevivendo às guerras fratricidas que obrigam as populações atingidas a abandonar sonhos e esperanças, refugiando-se como párias em países que relutam em recebê-los pelas conseqüências sócio-econômicas que fatalmente enfrentarão com a excessiva permissividade.

 Precisamos confortar os habitantes da cidade de Mariana, Minas Gerais, Brasil. É necessário arranjar abrigo, roupas e alimentos para os sobreviventes da maior catástrofe que já atingiu nosso país.  É nosso dever enxugar  as lágrimas das viúvas, mães, pais e órfãos da cidadezinha que saiu do mapa graças à irresponsabilidade dos poderosos empresários que extraíam riqueza da terra que oferecia abrigo e alimentava aquela gente;  principalmente lembremos  aos titulares dos poderes constituídos que o grito de alerta do Ministério Público se fez ouvir muito antes, sem acordar os surdos e indiferentes. E o povo de Mariana, todos  sem casa e muitos sem vida, olham para o céu acompanhando o voo rasante de um helicóptero, imaginando que é o trenó de Papai Noel, cheio de presentes. Para aquela gente, também é Natal. O trenó de presentes, é claro, continua uma lenda.

 Vale lembrar que vai chegar o Natal não somente na cidadezinha coberta pela lama. Também é Natal no Oceano Atlântico que emprestava o azul de suas ondas ao litoral do Espírito Santo. O capixaba assiste impotente a areia morena de Guarapari mudar de cor e assumir o tom sombrio que prepara a recepção para toneladas de peixes mortos; fauna e flora destruídas  no caminho percorrido pelo desastre tido por alguns entendidos como irmão das tragédias de Hiroshima e da usina atômica de Chernobyl. Quando o meio ambiente é atingido criminosamente, o mundo já não é o mesmo, nosso fim fica mais próximo e mais doloroso. É preciso abrir os olhos e enxergar, ainda que seja por ocasião do Natal. 

 Cuidemos de esquecer um pouco as desgraças do mundo e ficar atentos ao cenário da Câmara dos Deputados, onde alguns dos representantes do povo brasileiro trocam tapas e palavras de baixo calão, engalfinhando-se em vergonhosa luta corporal no plenário da “augusta” casa que abriga os cidadãos agraciados com o voto popular. Transformada em academia de MMA, a casa legislativa onde nosso destino é decidido, abriga um grupo de exploradores da boa fé e da ignorância do segmento de brasileiros que permitiram a presença deles como nossos mandatários. As agressões e o frenético descontrole decorre da necessidade de conservar a zona de conforto em que vivem, defendendo os responsáveis pelas escolhas equivocadas na administração do país. Seguimos o caminho inverso à moralidade e decoro dos cargos públicos, vivemos um verdadeiro retrocesso econômico. Como se não bastasse, somos obrigados a ouvir os lutadores de MMA do mundo político interpretarem o impeachment como “golpe”. Como sempre, não sabem o que falam. Não provam e nem podem provar as insustentáveis e levianas afirmações.

 Vamos ler e tentar entender a Lei nº 1079, de 10 de abril de 1950, que define os crimes de responsabilidade e oferece os fundamentos para o procedimento lícito, destinado a coibir os abusos dos detentores de cargos públicos cuja investidura decorre do voto popular. Não precisa ser bacharel em Direito: qualquer pessoa medianamente alfabetizada pode consultar o Google, evitando a leitura dos manuais e tratados de Direito Constitucional, leitura obrigatória  para os estudiosos do assunto. Façam isso porque o Natal pede passagem.

 Chegamos, por fim, ao pedaço de chão sob nossos pés: o município de Itabuna. Olhemos com atenção a cor das águas do Rio Cachoeira, chorando as lágrimas verdes da poluição que vem minando sua vida. Melhor dizendo, nossa vida. Concentrem a atenção nos caminhões-tanque que cortam a cidade ininterruptamente para levar o equilíbrio da vida no planeta, a água, aos edifícios e casas dos bairros privilegiados, habitados por pessoas de médio ou alto poder aquisitivo e que podem pagar pelo precioso líquido. E nos bairros da periferia? E nos célebres condomínios “nossa casa, nossa vida”? Ora, Deus proverá. É problema de somenos importância para os gestores.

 Uma parada para reflexão, enquanto é tempo. Itabuna agoniza. Não existe água para o consumo da população.  Um projeto antigo de revitalização da bacia do Rio Cachoeira, idealizado pela UESC, continua vivo em uma instituição privada e independente, Centro das Águas. A duras penas, sua coordenadora conseguiu criar um Forum Permanente das Águas, incluindo a maioria das instituições da sociedade organizada inclusive as duas Universidades, ressaltando-se o caráter voluntário da participação das entidades. Divididas as responsabilidades, cumpre às Universidades a elaboração dos projetos para consecução de objetivos que dependam de apoio político. Até agora, silêncio absoluto da UESC e da UFSB. É compreensível a indiferença da Universidade Federal do Sul da Bahia, apesar de comandada por um filho da região: algemada às metas da política do momento, na qual Itabuna nunca figurou como  prioridade, fatalmente permanecerá no plano das promessas e pedras fundamentais diante dos problemas maiores da comunidade. Com a UESC, a relação é outra. Apesar de estadualizada e inserida nos “projetos” da “pátria educadora”, nasceu do sonho puro e legítimo de filhos desta região, notadamente Ilhéus e Itabuna; tem compromissos com a história: passado, presente e futuro estão unidos indissoluvelmente. Nenhum direcionamento ditado pelas circunstâncias afastará a trajetória inicialmente traçada. A UESC precisa ser fiel às suas origens e à sua história. É o único patrimônio que restou da pujante região cacaueira.

Para festejar o Natal, esperem, confortem, lembrem, analisem, esqueçam a desgraça geral momentaneamente, leiam e tentem entender, concentrem-se, reflitam. Por fim, abram as portas, abram o coração, limpem as mentes do egoísmo,  do pessimismo e da covardia. Deixem o clima festivo entrar e permanecer em seus lares. É a energia do simbolismo do Natal que pede passagem.

 





A PAZ DO NATAL

Marcos Bandeira

               Neste momento em que celebramos o nascimento de Jesus Cristo convido a todos os confrades e confreiras da nossa querida ALITA para uma reflexão. Principio com o belíssimo texto de Nancy M. Unger, intitulado “Encantamento do humano”, quando ela afirma que a civilização está experimentando uma “crise de sentido”, de visão de mundo, enfim de ordem ontológica, na qual o homem na sociedade capitalista se afasta do sagrado e de sua dimensão cósmica e espiritual, reduzindo-se a objeto e instrumento, de sorte a visualizar o mundo como algo utilitarista e instrumental, fundado na busca insaciável de poder e lucro. Nancy, com sutileza, enfatiza que o desencantamento do mundo não é da natureza, que apesar dos bombardeios sofridos, continua incólume, mas do olhar, que nos reduz à reificação.
             Assim, torna-se imperativo que reflitamos sobre a nossa vida, a nossa convivência humana, nossos valores, e de que forma podemos redirecionar os nossos olhares para o humano, para o sagrado, para a intuição e assim contribuir para crescermos como seres humanos e tornar mais amena a nossa convivência com nossos familiares, com nossos amigos, enfim, com nossa comunidade.
             Convivemos numa sociedade líquida, de que nos fala o sociólogo polonês Zygmunt Bauman,  caracterizada pela construção de laços frouxos e voltada para o consumo desenfreado de bens e coisas artificiais. Qual o meu papel neste mundo, cujos vínculos são construídos e desconstruídos com um simples clic no computador? O que posso fazer para dar sentido à minha vida neste mundo tão complexo? Será que estou guardando os mandamentos sagrados do Senhor? Será que estou contribuindo com a minha conduta para semear a paz na minha família e na minha comunidade? Será que sou capaz de sublimar as mágoas e ressentimentos que ainda calam no fundo da minha alma? Será que sou capaz de perdoar o meu irmão?
             Essas são algumas reflexões que devemos fazer neste final de ano, nesse momento que se celebra o nascimento do nosso DEUS VIVO que é amor, perdão, esperança, justiça, humildade, compreensão e paz!
            A humanidade, sem dúvida alguma, evoluiu; entretanto o ser humano ainda continua distante de sua verdadeira essência.  Destarte, torna-se obrigatória a citação de três grandes homens, que não só vivenciaram verdadeiramente os seus valores e princípios como também deixaram um legado de luta, sacrifícios, valores, ideais, exemplos a serem seguidos pelas futuras gerações, porque eles contribuíram para o progresso da humanidade e para a disseminação da cultura da paz. Cada um do seu jeito.
           O primeiro a se destacar nessa linha é Mahatma Gandhi, também conhecido como “a grande alma” que lutou pela libertação da Índia do jugo imposto pela minoria branca britânica, utilizando a estratégia da não violência. Disse Gandhi: A não violência, em sua concepção dinâmica, significa sofrimento consciente. Não quer absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor, mas um empenho, com todo o ânimo, contra o tirano. Assim, um indivíduo, tendo como base esta lei, pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra, a própria religião, a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a regeneração daquele mesmo império”.
            Tempos depois, já na segunda metade do século XX, surge a figura carismática de Martin Luther King, que entregou a sua vida para acabar com a segregação racial nos Estados Unidos, utilizando como estratégia de defesa a mesma técnica da não violência empregada por Mahatma Gandhi na Índia. O grande pacificador, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1964, na sua histórica marcha contra a segregação racial até Washington, capital dos Estados Unidos da América pontificou: Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!... E quando isto acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós o deixarmos soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo Estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro: “Livre afinal, livre afinal.  Agradeço a Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal”.
           A não violência, em sua concepção dinâmica, significa sofrimento consciente. Não quer absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor, mas um empenho, com todo o ânimo, contra o tirano. Assim, um indivíduo, tendo como base esta lei, pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra, a própria religião, a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a regeneração daquele mesmo império”.
            Em nossa sociedade contemporânea podemos ainda mencionar Nelson Mandela, que viveu 27 anos na prisão da Ilha Robben, na África do Sul, e que nunca deixou de sonhar pelo seu ideal: a paz verdadeira na África do Sul entre brancos e negros. O enigmático e grande homem da paz do mundo dissera para a nação africana: “Toda minha vida foi dedicada à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e contra a dominação negra. Escolhi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver em harmonia, com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e atingir um dia. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”.
            Assim, a paz está dentro de cada um de nós e a sua disseminação depende de cada um de nós também. A verdadeira paz nos foi enviada pelo Espírito Santo, portanto, emanada de DEUS.
            É por isso que Jesus Cristo, o nosso DEUS, o mestre de todos os mestres, inigualável e incomparável, a quem devemos não somente amar, mas a louvar todo o dia, disse aos seus apóstolos:

“EU VOS DEIXO A VOZ PAZ, EU VOS DOU A MINHA PAZ”.
QUE NÃO CONFUNDAMOS A PAZ, COM A PASSIVIDADE SUBALTERNA OU A INDIFERENÇA CRUEL DIANTE DO QUE OCORRE EM DERREDOR DE NÓS, PRINCIPALMENTE COM NOSSOS IRMÃOS MAIS NECESSITADOS.
QUE UTILIZEMOS A PAZ ATIVA COMO CIDADÃO PARTICIPATIVO, AUTÔNOMO E SOLIDÁRIO NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE LIVRE E IGUALITÁRIA.
QUE NESSE MUNDO AINDA TÃO DESIGUAL E ONDE AINDA CAMPEIA A CORRUPÇÃO, POSSAMOS TAMBÉM NOS INDIGNAR COM A INJUSTIÇA, COM O CRIME, COM A COVARDIA, COM A BLASFÊMIA.

QUE POSSAMOS EXERCER OS NOSSOS DIREITOS COMO CIDADÃOS E SEMPRE CULTUAR A PAZ EM NOSSA VIDA.

FELIZ NATAL!

Marcos Bandeira








CANTO DE ANO NOVO


Desejo um feliz ano novo
ao amigo e à doce amiga
e eu mesmo me comovo
ao repetir a velha cantiga,
embalado pela esperança
de que seja bem-aventurado 
o novo ano que já avança
sobre o mundo tão desolado.
Ano velho, eu te absolvo
se a alma sofrida te reprova
com as travas de nova trova
                      por um feliz mundo novo.                        

Aleilton Fonseca






ANO NOVO

  Cyro de Mattos

Uma infinidade
De estrelas e balões
Conjuga a maravilha.
Desenha flores no céu
Uma  emoção intensa.
Festeja  a esperança.
Ritmo sem pausa
Em todos ou em cada
No abraço da vida.
Nada de capas
Grossas de espuma
Em rio se arrastando
Na dura lei das águas
Por baixo da ponte.


 Ilhéus, Praia do Norte, 31/12/2015

Cyro de Mattos Ganha Prêmio Literário Nacional Pen Clube do Brasil 2015




Cyro de Mattos  Ganha Prêmio Literário
Nacional Pen Clube do Brasil 2015


Com o romance Os Ventos Gemedores,  o escritor baiano Cyro de Mattos venceu o Prêmio  Literário Nacional PEN Clube do Brasil 2015 para livros da categoria Narrativa publicados em 2013 e 2014. Criado em 1938, o Prêmio Literário Nacional Pen Clube do Brasil  é um dos mais antigos e prestigiosos  certames brasileiros,  consistindo em troféu denominado PEN, especialmente concebido e executado pelo escultor Cavani Rosas, além de Diploma e valor em espécie. O Prêmio PEN será entregue ao escritor baiano no dia 14 deste mês, às 19 horas, no interior da  cobertura do Terraço do Instituto  Histórico Geográfico Brasileiro, na Glória, no Rio.O romance Os Ventos Gemedores foi publicado em 2014 pela editora Letra Selvagem,  de São Paulo. O prêmio Pen de Poesia foi para Izacil Guimarães e o de ensaio para a historiadora Ana Ferro, da Universidade Federal do Maranhão.
Eis alguns escritores que, ao longo das décadas passadas, conquistaram o Prêmio Pen Clube do Brasil, nas categorias de Ensaio, Poesia e Narrativa:
Gastão Cruls, Gilberto Amado, Brito Broca, Antonio Calado, Jorge Amado, Antonio Cãndido, Dalcídio Jurandir, Miécio Tati, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, José Condé, Fernando Sabino, Marques Rebelo, Álvaro Lins, Cyro dos Anjos, José Paulo Moreira da Fonseca, Cassiano Ricardo, Augusto Meyer, José Cândido de Carvalho, Dalton Trevisan, Josué Montelo, Nelson Werneck Sodré, Rubem Fonseca, Homero Homem, Otávio de Faria, Oto Maria Carpeaux, Adonias Filho, João Cabral de Melo Neto, Herberto Sales, Eugênio Gomes, Nilo Aparecido Pinto, Raimundo Magalhães Junior, Emílio Moura, Macedo Miranda, Autran Dourado, Waldemar Lopes, Fausto Cunha, Alceu Amoroso Lima, Orígenes Lessa, Érico Veríssimo, Odylo Costa Filho, Pedro Nava,  Ledo Ivo, Afonso Arinos de Melo Franco, Permínio Ásfora, Alphonsus de Guimarães Filho, Stella Leonardos, Antonio Carlos Villaça, Murilo Rubião, Pedro Calmon, José Guilherme Merquior, Guilherme Figueiredo, Mauro Mota, José J. Veiga, Wilson Martins, Helena Parente Cunha, Mário Quintana, Dinah Silveira de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Alberto da Costa e Silva, Alexandre Eulálio, Dante Milano, Josué Guimarães, Gilberto Freire, Marcus Accioly, Raquel Jardim, Afonso Félix de Sousa, Barbosa Lima Sobrinho, Mário Pontes, Moacir Scliar, João Cabral de Melo Neto, Ivan  Junqueira, Denise Emmer, Luíza Lobo, Salgado Maranhão, Antonio Torres, Ferreira Gular,  Joel Rufino dos Santos, Maria José de Queiroz, dentre outros.

QUEM É QUEM

Cyro de Mattos, nasceu  no município de Itabuna, no Sul da Bahia, em 31 de janeiro de 1939. Jornalista, poeta, romancista, contista, novelista, cronista, autor de livros infantojuvenis. Diplomou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia, em 1962. Dentre seus livros publicados, destacam-se  Os Brabos, O Menino Camelô, Cancioneiro do Cacau, Os Ventos Gemedores e Vinte Poemas do Rio, que foi  indicado para o vestibular da Universidade Estadual de Santa Cruz (sul da Bahia), no triênio 2003-2005. Tem livros pessoais publicados em Portugal, Itália, Alemanha e França. Conto e poema publicado em antologia na Rússia, Estados Unidos, Espanha, Itália, Portugal e Dinamarca. Participou como co9nvidao do III Encontro Internacional de Poetas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal, Feira do Livro de Frankfurt e Encontro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca, Espanha.

Títulos
  • Membro da Ordem do Mérito do Governo da Bahia
  • Membro do Pen Clube do Brasil (Rio)
  • Membro da União Brasileira de Escritores (Rio)
  • Membro da União Brasileira de Escritores (São Paulo)
  • Membro da Academia de Letras da Bahia
  • Membro do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia
  • Membro da Academia de Letras de Ilhéus
  • Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna



Principais Prêmio Literários
Prêmio Miguel de Cervantes da Casa dos Quixotes do Rio de Janeiro, para países de língua portuguesa.
Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, 1979
Prêmio Leda Carvalho da Academia Pernambucana de Letras, 1982/1983
Prêmio Jabuti/Menção Honrosa, Câmara Brasileira do Livro,  1986
Prêmio Ribeiro Couto da União Brasileira de Escritores (RJ), 1997
Prêmio Adolfo Aizen da União Brasileira de Escritores (J), 1997
Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes, 2002
Prêmio Vânia Souto Carvalho da Academia Pernambucana  de Letras, 2002
Prêmio Hors-Concours Adolfo Aizen da União Brasileira de Escritores, (RJ), 2002
Segundo Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro, Genova, Itália, 2006
Dez vezes primeiro lugar em concursos literários da União Brasileira de Escritores (Rio).


Algumas Opiniões sobre o Ficcionista:


“Obra que se revela em continuado processo de recriação estilística e de escavação existencial, a de Cyro de Mattos, enraizada em sua  terra e sua gente, expressa a constante busca de uma sintonia cada vez maior com a acelerada mutação do nosso tempo.” Nelly Novaes Coelho, ensaísta e Doutora em Letras, da USP. In: Escritores brasileiros do século xx , Editora Letra Selvagem, São Paulo, 2013).

“Realmente um escritor brasileiríssimo pela temática e pela linguagem. O tema é o povo brasileiro mais humilde e típico e a linguagem, depurada, exata, amplia a dramaticidade da ação, impedindo qualquer vulgaridade de sentimento... Cyro de Mattos possui uma personalidade vigorosa e original: a condição humana dos personagens que surgem do seu conhecimento e de sua emoção nada têm de artificialismo da pequena burguesia  a exibir angústia de psicanalista. O autor de Os Brabos pisa chão verdadeiro, toca a carne e o sangue dos homens, entre sombras e abismos”. (Jorge Amado. In: “A Marca de Um Narrador Dramático”, Jornal de Letras, Rio de Janeiro, maio 1980).
 
Começo bem o ano, lendo Os Brabos, em que Cyro de Mattos põe muito sentimento dramático da vida, e muita vivência brasileira. São histórias que ficam na lembrança da gente”. Carlos Drummond de Andrade, poeta e cronista. In: Correspondência pessoal de Cyro de Mattos, 06 de janeiro de 1981.

Extraordinária capacidade de dar aos aspectos mais típicos da realidade nacional, em estilo profundamente impregnado da nossa fala brasileira, a revelação de um escritor visceralmente nosso... admirável ficcionista”. (Alceu Amoroso Lima, crítico literário. In: Academia Brasileira de Letras, Ata de Julgamento do Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, em 29 de junho de 1971. 

 “Suas melhores histórias me fazem pensar nos grandes: Adonias Filho, Guimarães Rosa, Faulkner, José Lins do Rego. Faulkner, no conto ‘A Rose for Miss Emily’, me surgiu quando li (duas vezes) o conto “Infância com Bicho e Pesadelo”. Diferentes entre si, mas o mesmo senso das coisas velhas se indo embora, esmaecendo, em decadência afinal. Aqui, neste conto, eu não me lembro de ter lido nada igual quanto à habilidade do narrador em relacionar psicologicamente ou interiormente os meninos com os bichos. Grande humanidade e grande dignidade diante das pequenas criaturas do reino animal.” (Fred Ellison, escritor, tradutor, doutor em Linguagem de Romance, Professor Emérito da Universidade do Texas, Austin, USA. In: Correspondência pessoal,
Austin, Texas, USA, em  29 de maio de 1998)

“O final deste livro conta a batalha corpo a corpo entre os jagunços de Vulcano Brás e os homens de vaqueiro Genaro e - ao contrário do que normalmente se dá na vida real - a vitória dos explorados, apesar das baixas de lado a lado. A vitória maior, porém, que se registra é da Literatura Brasileira que sai desse Os Ventos Gemedores mais enriquecida”.  (Adelto Gonçalves, escritor, doutor em Literatura Portuguesa (USP). In: edição em português do Jornal Pravda de Moscou; buscar no Google:  'Os ventos gemedores': saga do Brasil arcaico - Pravda.Ru port.pravda.ru › Sociedade › Cultura)



Os Ventos Gemedores
Preço: 30,00

Editora Letra serlvagem