AGOSTO EM JULHO



A morte e a morte de Ariano Suassuna: na terça-feira (22), uma coluna de jornal do Rio anunciou o falecimento do autor paraibano, desmentida horas depois; na quarta (23), a notícia indesmentível de que o escritor falecera. Por uma fatalidade dessas que perseguem os comunicadores, ele morreu duas vezes – dando ao seu passamento o modelo surpreendente às vezes visto em sua ficção.

Nome dos mais importantes das letras do Nordeste (os outros são José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Raquel de Queiróz, Graciliano Ramos e Jorge Amado), Suassuna situou sua produção em temas como o folclore, as narrativas da Távola Redonda, a literatura em versos vendida nas feiras. Montava atualmente O jumento sedutor, um livrão de revisita à cultura popular nordestina.

Agosto, mês aziago por definição (de acordo com a crença das ruas) parece ter-se antecipado para julho: João Ubaldo Ribeiro  (dia 18),     Rubem Alves  19) e Ariano Suassuna (23) formam uma lista de perdas em  seis   dias   de julho que nenhum agosto de 31 dias jamais registrou.
 
Editorial Jornal Agora