Poema de Catulo Traduzido

O poeta e Professor Doutor Cid Seixas comunicou ao escritor Cyro de Mattos que, depois de muito tempo sem escrever nada que lembrasse poesia, tentou  uma imitação nordestina do poema latino de Catulo, VIVAMVS ATQVE AMEMVS

Abaixo transcrevemos  a tentativa nordestina para  traduzir o poema de Catulo, realizada, de maneira exemplar, pelo talento e sensibilidade do poeta baiano, Cid Seixas:


Moça da ilha de Lesbos,
vamos viver nossa vida,
amar, beijar, abraçar,
antes que chegue a Partida.
A luz do dia é breve
e logo vai se acabar
na noite eterna do nada
não há mais tempo de amar.
Desejada moça da Grécia,
dá-me mil beijos então,
depois me dá mais de cem
até contar um milhão.
Depois comece de novo
e vamos a conta perder,
antes que o mal da inveja
de mim afaste você.
O sol se põe no ocidente
para depois renascer,
os rumores dessa gente
não podem nos compreender.
Moça nascida na Grécia,
vamos viver e amar,
fazer brinquedos de amor
até o sol se apagar.

O texto acima, composto na forma de oitavas em redondilha maior, modelo das cantigas de cego das feiras do interior baiano, foi feito com o intuito de apresentar o sentido aproximado do poema de Catulo, citado no livreto
Desatino romântico e consciência crítica:
Uma leitura de  Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.
Endereço para ler na net http://issuu.com/e-book.br/docs/cidseixas

Eis aqui o original latino:

Viuamus, mea Lésbia, atque amemus,

rumoresque senum seueriorum
omnes unius aestimemus assis.
Soles occidere et redire possunt;
nobis cum semel occidit breuis lux,
nox est perpetua una dormienda.
Da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
Dein, cum millia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus inuidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.