Posse de Silmara Oliveira- Nova Presidente da Alita
























SÔNIA MARON- DISCURSO

SôniaPosse de Silmara Santos Oliveira
                Câmara de Vereadores de Itajuipe
                          Biênio 2017/2019 – 19.04.2017

Exmo. Sr. Vereador Mateus Mattos, representando o Presidente desta casa de legisladores que nos recebe generosamente; Exmo. Sr. Vice-Prefeito de Itajuípe, Leandro Junquilho Cunha; autoridades presentes e representadas desta acolhedora cidade; Ilma. Sra. Profª Zélia Possidônio, representando o presidente da Academia Grapiúna de Letras, Ramiro Soares de Aquino; senhores convidados, meus queridos confrades e confreiras, meus conterrâneos de Itajuípe.

            Tradicionalmente o ritual das academias de letras é laico, dispensando a invocação  a Deus como costumam fazer alguns clubes de serviço, a exemplo do LIONS, ao qual pertenço e coincidentemente celebra este ano o centenário mundial. Vou ferir o protocolo acadêmico  neste momento em que transmito o comando da nossa instituição a uma confreira exemplar, invocando a proteção de Deus  ou que outro nome possamos dar à força superior que nos conduziu até este momento, com ânimo renovado, confiança no futuro e esperança de um convívio fraterno, leal e harmonioso, para que abençoe e proteja o biênio que hoje tem início e a trajetória de nossa academia e seus dirigentes.
            Cumpre esclarecer a escolha da cidade de Itajuípe  para a posse da terceira presidente da Academia de Letras de Itabuna, conhecida pela sigla ALITA. A decisão surpreendeu algumas pessoas menos avisadas e desligadas da memória da nossa região. Bastaria um único argumento para justificar a escolha: Adonias Filho, patrono da nossa academia, nasceu, viveu e amou Itajuípe como poucos dos seus filhos. Seria o suficiente se não tivéssemos outros poderosos argumentos: a presidente eleita, Silmara Santos Oliveira, é filha de Itajuípe e uma das referências intelectuais da cidade, como educadora e escritora. É ainda uma das maiores estudiosas da obra do escritor festejado no país e além fronteiras, devendo-se a ela a preservação da memória do seu conterrâneo mais ilustre. Assegurando a legalidade da escolha, o nosso estatuto, no art. 4º, in fine, amplia o alcance da ALITA na preservação da memória “da cultura de Itabuna e de toda a região Sul da Bahia”. E a presidente que ora se despede é também filha de Itajuípe, podendo apresentar a prova material da certidão de nascimento lavrada por Ottoni José da Silva e afirmar que o obstetra Montival Lucas cuidou para que chegasse ao mundo sã e salva.
            Esta reunião festiva tem a finalidade de transmitir o cargo de Presidente da Academia de Letras de Itabuna, que exerci por dois biênios, à Profª Silmara Santos Oliveira e legitimar a escolha dos confrades e confreiras que integram a Mesa Diretora da chapa eleita por aclamação no último dia 15 de março do corrente ano. Reza a tradição das instituições congêneres que a dirigente que se despede ofereça uma prestação de contas sumária, dando conhecimento aos membros da academia e à sociedade que os acolhe das realizações e eventos próprios da entidade no curso da gestão, no plano administrativo e cultural.
            Permitam-me assinalar que é espinhoso o caminho de uma associação civil de direito privado, sem fim lucrativo, notadamente quando o objetivo é o “cultivo da língua portuguesa e a promoção da literatura, das artes e das ciências humanas, em suas diversas manifestações”, como determina o art. 4º do nosso Estatuto. Nascida em 19 de abril de 2011, graças ao pequeno grupo de sonhadores que figuram como membros fundadores, tentamos sobreviver em uma fase de transformações sociais e enfrentando a crise econômica que assola nossa região, dificultando  a existência e crescimento de iniciativas voltadas para projetos culturais e incentivo à literatura, ciências humanas e artes.
            Por ocasião do meu discurso de posse, no biênio 2013/2014, declarei que tinha o sonho de reinventar a noção de uma academia de letras e a idéia continua viva e vibrante. Não é fácil ajustar o pensamento plural conseguindo harmonizar um colegiado. Os primeiros passos são difíceis, claudicantes e sofridos. Muitas vezes pedras ferem nossos pés na caminhada e o desânimo ameaça e reduz  o entusiasmo. São fases que já vencemos com coragem e determinação, conseguindo a união necessária para a concretização do ideal que reuniu um grupo de amigos estreitamente ligados ao verdadeiro sentimento de fraternidade.
            São consideráveis as dificuldades materiais enfrentadas. Nossa sede, ainda em duas salas ocupadas em regime de comodato, na rua Ruffo Galvão, em Itabuna, continuam acomodando nossas reuniões e abrigando a biblioteca que vem crescendo graças às doações dos próprios membros e à generosidade dos amigos. Cadeiras e bancada, estante e equipamento de computação decorreram de doações; as mensalidades dos membros são destinadas ao pagamento do condomínio e pequenas despesas; quando o saldo permite, alguma necessidade premente é atendida, como foi o caso da aquisição de uma mesa para a sala de espera. Graças à generosidade de empresários amigos e à parceria da FTC, Montepio dos Artistas, Associação Comercial e Hospital Beira Rio realizamos os eventos em auditórios confortáveis. São dados superficiais vividos pelo pequeno grupo que decidiu enfrentar as dificuldades e aceitar o desafio de reagir, superando crises e conflitos e acreditando  no fortalecimento da instituição.
            De 2013 até a presente data, graças à mensalidade de alguns membros e generosidade de alguns amigos que assumiram o patrocínio, além do evento de posse realizado no auditório da FTC, três outros foram realizados no mesmo local, para formalizar a posse de novos membros, lançamento do livro da poetisa Valdelice Pinheiro e lançamento do primeiro número da revista Guriatã: festejamos o centenário de Jorge Amado com palestras em faculdades particulares e colégios de ensino médio; festejamos o Dia da Consciência Negra na comunidade religiosa de tradição afro-brasileira Ilê Axé Ijexá, dirigida pelo Babalorixá, Prof. e escritor Ruy do Carmo Póvoas, vice-presidente do Biênio que encerramos e comemoramos a mesma data, no ano seguinte, no Montepio dos Artistas; prestamos uma homenagem póstuma à maior poeta da região, Valdelice Soares Pinheiro, editando uma coletânea dos seus poemas, organizada pelo confrade Cyro de Mattos; participamos do lançamento de livros de vários confrades e confreiras, a exemplo de Lurdes Bertol (na Biblioteca Municipal), Sione Porto (no Hotel Tarik), Ceres Marylise Rebouças  (em Ubaitaba, sua terra natal), Cyro de Mattos (na Livraria Nobel), Maria Delile Miranda Oliveira (na casa de eventos Maison Marie), Silmara Oliveira (em Itajuípe); estivemos ao lado da confreira Silmara Oliveira  em todas as festividades do centenário de Adonias Filho, inclusive em mesa redonda na UESC; a ALITA esteve presente em eventos da Academia de Letras da Bahia; lançamos a revista da academia, Guriatã, dois anos seguidos e já se avizinha o projeto do terceiro número; participamos de duas feiras de livros na Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC); no moderno auditório do Hospital Beira Rio, realizamos uma sessão solene homenageando o confrade Cyro de Mattos por ocasião do seu ingresso na Academia de Letras da Bahia, ocasião em que foi lançado o segundo número da revista; celebramos parcerias com a Associação  Comercial de Itabuna e Montepio dos Artistas; nosso site, inicialmente implantado pela confreira Ceres Marylise Rebouças, atualmente residindo em Salvador, passou à administração  da confreira Raquel Rocha que segue o projeto original, publicando as contribuições de todos os membros que nos honrem com sua produção literária, com acesso através de um link no espaço próprio e a primeira página para registrar notícias diversas, bem como artigos,  crônicas e poemas com o timbre da atualidade. No ensejo, é imperioso registrar nosso agradecimento aos empresários Helenilson Jorge Chaves, José Carvalho Peixoto e José Dantas Melo Neto, patrocinadores do livro e revistas que foram nossa marca no período.
            No âmbito financeiro, não temos contas a pagar. Ao contrário, o pequeno saldo em nossa conta bancária é suficiente para atender às despesas com o condomínio, compromisso assumido em razão do comodato que nos exime do aluguel, assinalando que a conta de luz das salas que ocupamos é assumida pelo proprietário, filho da atual presidente.
            Em rápida visão pelo caminho já percorrido, nada mais peço porque tenho somente agradecimentos a Deus pelos  empecilhos  que  consegui superar em todas as fases da minha vida. Alcancei o milagre de não conservar nenhuma cicatriz dos ferimentos sofridos na estrada já bastante longa que percorri. Nesses agradecimentos registro com louvor a solidariedade, carinho e apoio dos meus queridos confrades e confreiras da Mesa Diretora, a dedicação da ex-secretária e ex-vice-presidente Ceres Marylise, atualmente em Salvador, pela inestimável contribuição ao fortalecimento da instituição. Alguns foram mais que amigos, mais que irmãos e não vou citá-los porque a grandeza e generosidade de caráter que ostentam prescinde de publicidade. Eles e elas estão presentes e sabem o que significam para mim e para a instituição, o pequeno grupo de pessoas determinadas, otimistas, corajosas e idealistas que honram e fortalecem a ALITA como intelectuais e como cidadãos.
            Muito existe a sonhar, planejar e construir. As instituições de qualquer espécie passam por dificuldades, crises, altos e baixos, a depender das circunstâncias por vezes estranhas à vontade dos dirigentes. A ALITA não foge à regra. Nossa academia tem enfrentado desafios com altivez e determinação e nada vai impedir nossa trajetória ditada pelo propósito de promover a produção literária, criação artística e pesquisa cultural, transmitindo aos jovens valores mais éticos e mais justos.
            Gostaríamos de dizer a Silmara,  confreira muito querida, que uma instituição sem problemas estaria esperando sua competente e profícua gestão. Se o fizesse estaria delirando, ocultando a verdade. Nenhuma instituição consegue alcançar a perfeição e escoimar todos os problemas, vez que sua existência e atuação ocorre no plano material e humano, com erros, imperfeições, defeitos próprios dos seres humanos e não deuses, que compõem o quadro dos participantes. O que posso oferecer à minha querida amiga, com a chave da nossa modesta sede, é a afirmação de que os “cirineus” que me deram apoio continuarão ao seu lado, na proposta inscrita em nosso brasão: LITERIS AMPLECTI, a  expressão latina que pode ser traduzida como “abraço das letras”. Nosso abraço não é somente às letras: é o abraço fraterno e sincero que transmite congraçamento, união de propósitos, determinação e lealdade entre os membros. Irmanados, defenderemos a idéia original manifestada na fundação da nossa academia, de defesa da cultura em nossa região no sentido mais amplo.
            O brasão da nossa academia de letras encerra uma proposta de fraternidade e união, vale repetir. Aceitamos o desafio de reagir ao sentimento de desalento e desesperança que se apossou de uma região que se apresenta sem alma, sem passado, sem memória e vislumbrando o futuro com temor. Acreditando em nosso amanhã e exorcizando o pessimismo e a crítica destrutiva, afirmamos que o futuro não é oferecido de antemão e cabe a todos nós recriá-lo a todo momento. Estaremos ao seu lado, Silmara, recriando o futuro, reinventando a Academia de Letras de Itabuna para que possamos atrair os jovens que irão continuar nossa tarefa e aprender a sonhar os nossos sonhos.

                        Sônia Carvalho de Almeida Maron
                Presidente dos biênios 2013/2015 – 2015/2017                



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SILMARA OLIVEIRA- DISCURSO

Discurso da Acadêmica Silmara Oliveira ao tomar posse na presidência da Academia de Letras de Itabuna em 19 de abril de 2017

Silmara Santos Oliveira/ cadeira 02/ patrono: Sosígenes Costa
Agradecimentos

Meu trato com os livros e a leitura está de braços dados com a disposição de imaginar, de ter tempo livre para divagações, sonhos e assombros... Tempos da infância e adolescência quando compactuamos com o passar das horas vagarosas, muito bem colocadas, na observação de formigas e borboletas, como diz Manoel de Barros; tempo das abstrações e de sermos esquecidos pelos adultos ocupados.  
Mais adiante, esse trato está ligado ao meu ofício de professora, neste campo, ampliei leituras iniciais de estudante, adquiri a consciência da preservação e respeito a Língua Portuguesa, base da literatura e compromisso dos homens e mulheres que empunham lápis e papel, modernamente computadores, glorificando o que há de mais sagrado para uma nação e sua unidade – a Língua. Neste particular, o Brasil, país de proporção continental, com bastantes variações lingüísticas, mantém como língua única o Português, idioma amado em declaração e escrita pela ucraniana, Clarice Lispector, naturalizada brasileira.
Construí o que chamo de sensibilidade nacional pela causa do nordeste que tem uma literatura forjada nas senzalas e engenhos, bem como, as questões da política, de mandos e desmandos. Adocei meu olhar, sentindo a vida dos personagens que nada mais são que representações do cotidiano humano, passadas a ferro e fogo e, assim, o reconhecimento de que esta mesma nação brasileira habita dentro das páginas de Euclides da cunha, no assombro da pobreza e da fé. Do desespero e da força a empurrando para o front homens mulheres, crianças e velhos orientados pela liderança de Antônio Conselheiro. Na angústia de um Graciliano Ramos, a dureza mesmo, das impossibilidades humanas flagradas em Daltro Trevizan, saindo já do nordeste.
Anterior a isso, no plano da aproximação com o aspecto social, o poeta Castro Alves, alinhando-me aos que o consideram Príncipe da poesia nacional, poeta em tom maior no sentimento da paixão e, na condição de homem apaixonado, sofrendo e fazendo sofrer, como demosntrado no livro Leonídia, a musa infeliz do poeta Castro Alves, de Myrian Fraga.  No veio  pela liberdade,  imbatível nas declamações em púlpito, nos dias e noites ásperos da escravidão. Em tempos mais atuais, a prosa e o verso de Drummond, de Manuel Bandeira, poeta da indesejada e de balões juninos. Um sem-número de escritores nacionais tem emprestado ao nosso idioma seus nomes e obras de grande alcance, de inestimável valor, humanidade e humor. Acadêmicos e não acadêmicos.
Dentre os nossos augustos escritores sulbaianos, foi-me dado o prazer de aprofundar um pouco mais na obra do ficcionista Adonias Filho, ter contato com sua percepção desse mundo de fazendas de cacau e da natureza de homens brabos, Adonias aproximou a tragédia grega tanto dos personagens de um nordeste incrustado na Mata Atlântica rica e poderosa, tanto nos aspectos naturais – dada a elevada produção do cacau – quanto na formação dessa região a qual ele denominou Região Grapiúna. Além do estudo da obra, tive também a oportunidade de gerir a montagem da exposição e do Memorial Adonias Filho aqui em Itajuípe.
É doce e angustiante o contato com a ficção adoniana, e, hoje dia 19 de abril, data reservada à lembrança do habitante primeiro desta terra – o índio – me ocorre a trama do livro Fora da Pista, no qual trata da desumana e desleal conquista dos homens que aqui se assentaram em detrimento dos que já existiam os índios. Sempre oportuno, Adonias fez referência à sabedoria do índio no trato com o viver conforme a disposição do que a natureza lhe punha nas mãos.  Não pintou o índio com a paleta da ingenuidade, antes mostrou como foi dura e sangrenta a luta entre estes e plantadores de cacau ou caçadores. De todo modo, façamos nós a reflexão do que significa dizimar um povo com mais de três mil anos habitando essas terras. Membro de Academia Brasileira de Letras, Adonias Filho honra esta região e a ALITA, com seu trabalho de amplitude universal em sua forma e conteúdo.
E como a noite é de Academia, a primeira das academias do Brasil foi a Academia Brasileira de Letras fundada, a 20 de julho de 1897, Tendo Machado de Assis Presidente, Joaquim Nabuco Secretário-Geral, Rodrigo Octávio Primeiro secretário, Silva Ramos Segundo Secretário e Inglês de Souza Tesoureiro. Seu objeto primeiro: a cultura da língua e da literatura nacional. Cem anos depois, foi uma mulher Nélida Piñon a presidir a ABL indicando os sinais de mudança ao longo do tempo.
Na Academia de Letras de Itabuna – ALITA – ainda em idade tenra, – com apenas seis anos de fundação – há de caber também, além da missão da cultura da Língua e literatura nacional, o desígnio de exaltar a literatura Sulbaiana, ou Literatura do Cacau, lutar com vigor pela longevidade desta, que não diferente das outras, trabalha a memória de modo especial, recoloca o homem e a sua luz, com no poema de Sosígenes Costa, a literatura regional dispõe da vida dos nossos antepassados para o leitor. Todos os acordes são postos à mostra, com veias abertas, por diferentes e variados autores; dias e noites, madrugadas e amanheceres, nas matas ou em águas dos mares desta costa.
 Em muitos casos, é o regime da memória que norteia as páginas dos autores regionais, e sabemos que a memória não se curva às linhas do esquecimento, antes, reflete como espelho e, então, é que revisitamos os rios as estradas, ruas em calçamentos rudimentares, lavadeiras, homens na cabruca, o corte, a secagem do cacau, seu perfume in natura. Mulheres que se dão ou são tomadas. É a vida que se vai tecendo num vasto painel de cores ora fortes, ora esmaecidas, cheiros e texturas em infinitas nuances.
Compõem o cenário ficcional e não-ficcional desta academia nomes que a tem enriquecido, trinta e seis membros, sete correspondentes, entretanto, me eximo de citá-los nominalmente, por conveniência do tempo corrido.  Peço licença aos confrades e confreiras que aqui estão para prestar homenagem especial, às letras do ficcionista Cyro de Mattos, confrade a quem estimo e agradeço a minha presença nesta Casa. Quero dividir com vocês as sensações da leitura de três contos do livro em 2ª edição Berro de fogo e outras histórias.
Este livro é como se um mundo ido, retornasse com suas aflições de começo que se cria.  Entrevemos pastagens, estradas de pedras, rios limpos, natureza semi intocada, esperança nas mãos e sonhos nos olhos, destinos que se tramam para o de sempre, os pobres mais pobres.
 Nessa escrita, que se faz ler em um fôlego, sem que queiramos despregar os olhos, a vida corre em seu tom normal, e o normal se acerca das lidas diárias, impregnada do sofrimento como indelével. Sobrepesa nessas histórias, três contos aos quais me detenho, uma carga de expressiva impotência, seja no homem que mata um seu igual, um amigo, um inocente, e, perceba que o indivíduo mata, e nesse caso, é potente, mas não pode se livrar desse ofício de matar, que até entende como natural da vida. Seja a impotência da moça que engravida do patrão, à semelhança de Trevisan quando as moças têm um subalterno fim predestinado do sexo violado como no romance A Polaquinha. 
Mais ainda, impressiona o silêncio impotente e urdido na dificuldade e tristeza de uma criança a quem não é dado o direito de ter um animal de estimação, sucessivos bichos desaparecem pelas mãos do seu genitor. É a mesma marca de impotência. Somente o contato do leitor com o texto para ter conta do peso no ombro do filho, na sua solidão febril pelo desejo de ter um animal. E como um gato estendido nas mão,  abatido aos golpes do pai, essa criança enlouquece dada a sua miudez de criança que nada pode.  É como se o escritor tivesse sido esse menino porque transpõe de tal modo a sua dor que o leitor ela se estreita e se comove.
A literatura do companheiro Cyro, é essa mão invisível que nos humaniza dentro da dor sentida e, quando o texto assume essa humanização, suavizando o olhar para o outro, aproximasse do universal, do excelso.
À guisa de curiosidades, informo que ontem foi aniversário de nascimento de Monteiro Lobato 18 /04/1882, hoje, nascimento de Lygia Fagundes Telles, 1923 e amanhã data do nascimento de Augusto dos Anjos 1884.
Assumo, pois, esta Presidência sob o resguardo da honra, do trabalho e zelo pela Língua Portuguesa e pela literatura regional, pela vida comunitária e, conclamo os nobres confrades ao congraçamento que nos possibilite aconchego da boa convivência,  e ações que alcem voos ao encontro da juventude para que tomem gosto pela leitura e que seja reduzida a distância entre as letras e e os mais moços.  Que esta Casa ambicione inspirar nos jovens o gosto pela arte, leitura e exemplo de intelectualidade.
Neste momento, dou posse aos ilustres acadêmicos e confrades Lurdes Bertol Rocha Vice-Presidente; Sônia Carvalho de Almeida Maron, Primeira Secretária;  Sione Porto, Segunda Secretária; João Otávio Macedo; Primeiro Tesoureiro; Janete Ruiz Macedo Segunda Tesoureira; Cyro de Mattos Editor da Revista Guriatã; Ruy do Carmo Póvoas Diretor da Biblioteca; Raimunda Assis, Diretora de Arquivo; Raquel Rocha Diretora de Informática; Celina Santos, Diretora de Comunicação; Marcos Bandeira Diretor de Pesquisa e Assuntos Culturais.
É como mulher, estudiosa, cidadã brasileira, produtora cultural, que hoje com a graça de Deus e Bdos membros desta casa que confiaram na minha condição de trabalho, assumo a Presidência da Academia de Letras de Itabuna, agradecida e honrada pela fé em mim depositada.