A SOMBRA NO ESPELHO- Ruy do Carmo Póvoas

PRIMEIRA ORELHA

 

A despeito de Ruy Póvoas não propor sua obra literária como instrumento ativo de grupos que trabalham em prol da liberdade e equidade, este livro se insere à perfeição na luta continuada de valorização dos direitos humanos.

Por isso diz ele, na abertura do que aqui apresenta: Apesar da existência de Lei que garante o direito de culto e o uso de linguagens outras, a liberdade não se faz plena, uma vez que a perseguição e a discriminação ainda continuam. Situação idêntica à dos que têm outra orientação sexual, dos que também vivenciam a igualdade entre o Masculino e o Feminino e dos que têm o fenótipo do negro africano ou do índio. Do emaranhado dessa história que também me compõe, minha intuição produziu este romance. Creio que, nele, a sombra da nação à qual pertenço, através de uma narrativa imaginada, se reflete no espelho da consciência de todo e qualquer brasileiro que se digne examinar a verdadeira história do Brasil.

Tivesse Marcelo Andaraí recebido dons literários e, não, de artes plásticas, teria escrito igual.

L. C. T. F 





CONTRACAPA


Navegando entre realismo fantástico, questões raciais e de gênero, traços fundantes do Povo de Santo e a sempre desafiadora tarefa de afirmação da mais íntima identidade pessoal, em A sombra no espelho – O secreto arquivo de enigmas o escritor baiano Ruy Póvoas nos brinda com um romance encantador.

Em um enredo que prende da primeira à última página, embora por vezes convide à releitura de trecho anterior para aprofundar a densidade do que se conta em alinhavo, uma sucessão de diferentes e imprevistos personagens ajuda o excelente contador de histórias que é Ruy a nos apresentar Marcelo Andaraí, de sua infância como menino incomum à entronização como Babalorixá, tudo isso de Itabuna e Ilhéus a Paris e, daí, a Cachoeira, vejam só!

Matizada por Logum-Edé, Orixá de cabeça de Marcelo, a história é um caleidoscópio de marcantes aspectos humanos, por meio da qual Ruy, que é de Oxalá, avança mais ainda no que já percorrera em A Viagem de Orixalá, em que mesclou a riqueza das culturas afro-brasileiras com as artes arcanas, entre elas a Astrologia Arquetípica e o Ifá de Orumilá, e o labirinto desafiador da autodescoberta, onde os saberes da contemporânea Psicologia são valioso fio condutor.

Que o leitor não se deixe enganar: por detrás dos fascinantes dengos do texto, coisa de Oxum, há muito da habilidade de Oxóssi: a caça das melhores palavras para a construção do cenário próprio de cada trecho da narração que nos apresenta a viúva Alcina pelejando por realizar o sonho do marido Ranieri: ser escritor.

Luiz Carlos Teixeira de Freitas






 


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